terça-feira, 11 de março de 2008

Comunhão com a Natureza


Fonte inspiradora contemplando o nosso universo particular.

A sensibilidade vai ao seu encontro e silencia.

O júbilo é percebido e me vejo a meditar.

Afetos de minha alma pequena.

O som de uma flauta serena.

O canto dos habitantes da natureza.

Escuto com os olhos do coração.

Não é imaginação e sim inspiração.

Divisar a união de tudo que existe.

Pois também somos a natureza.

Fazemos parte desta comunhão.

Quem se opõe à natureza não desfruta do amor,

Emitido pela Mãe da criação.

Indo de encontro a si mesmo.

Quem se une a ela usufrui as emanações divinas.

Tudo fica diferente.

Ego...Pensamentos inferiores e materiais

Tudo fica ausente.

Pensamentos voam para longe.

Ultrapassam o horizonte.

Crescemos como uma planta.

Expandimos como um sol.

Brilhamos como as estrelas.

Mãe Natureza!

Que tanto nos rodeia.

Poder de transformação,

Oh quanta grandeza!

Sentimentos...Sentimentos

Tantas surpresas.

Guie-me para junto da Divina Mãe.

Mãe Natureza!

Você faz despertar o espírito que habita em nós.

Sentado ali entro em sintonia com algo a me encarar.

A mente vazia se enche com o axé a encantar.

Mãe Natureza!

Fico olhando e refletindo sobre as coisas do òrun.

Uma bola de luz sagrada vibra todos os dias a nossa frente.

Visualizo na tela do frontal.

Um grande espírito acena para mim.

Um sol que não beija só as águas de Yemanjá.

Mas que também brilha nas águas doces,

Trazendo as lembranças,

Da jovem e linda Oxum Apara.

Neste sol o sentimento de Olorum é refletido.

Sou afetado pelo prazer desconhecido.

Aquele que só deseja a união com a natureza.

Se eu pudesse a minha religião seria a natureza.

Ela fornece todo alimento necessário para seguir em frente.

Sendo amoroso e caridoso.

Essa natureza cria e recria.

Colocando em pratica o que ela nos inspira.

Um verdadeiro ensinamento aos olhos dos sentimentos.

Vejo irmãos religiosos atacando outras religiões.

Vejo intelectuais se achando dono da verdade.

Vejo irmãos materialistas querendo sempre mais e mais.

Vejo tantas coisas divergentes nesta vida.

E quando olho para a natureza.

Eu não entendo o porque de tantos conflitos.

Se eu orar...orar...orar

Pelo Sol!

Pela Lua!

Pelas Estrelas!

Pelas águas doces e salgadas!

Pelos verdes das Matas!

Pela Terra que sustenta todos os seres!

E fazer desta comunhão a minha religião.

Será que também serei discriminado pela minha ação?

E porque não se harmonizar com esta natureza?

Aonde habita os nossos Orixás.

Se Olorum esta em tudo e no todo.

Ele habita também no Sol...Plantas...Estrelas...

Todos os dias essa luz passa pela minha janela,

Luz da Lua!

Luz do Sol!

Luzes das Estrelas!

Carecemos desta união com o inexplicável.

Por acaso se lembras da última flor que avistou?

Qual era a cor desta flor?

Não consegue perceber as cores,

Que tanto colorem a sua existência?

Oportunidades são oferecidas,

Todos os dias em nossa caminhada.

Pensemos mais nesta vinha,

Que aumenta a sensibilidade da jornada.

A sensibilidade que nos ensina a amar tudo e a todos.

A valorizar as pessoas que amamos,

Que pode ser até um animal de estimação,

O que importa é amar e irradiar para todos os seres.

E refletir sobre a oportunidade que o Pai nos concede,

Elevando o nosso espírito a esta Mãe Celeste.

Mãe Natureza!

Se todos a conhecessem,

Existiria uma maior preservação.

Valorização...Comunhão

A este berço da criação.

Por Carlos Junior

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Reflexão do Eu


Imagino um Avatar dentro de cada ser.

Somente uma sensibilidade pode perceber.

Imaginar e desvendar o que há em nós.

A cosmogonia de estudo pessoal.

Fechei os olhos e meditei.

Na escuridão a mente se expandiu.

Andava pelas montanhas do meu eu superior.

A minha visão fez o sol brilhar.

Para a senda particular iluminar.

As trilhas anunciavam presenças não convidativas.

Nessas horas vibro nas águas da Oxum.

Pois o amor converte qualquer um.

O sopro do coração despertou.

A mente aberta influenciou.

Meus pés sujos pelo barro do meu eu inferior.

A minha Aura magenta.

Pisava na grama da alma sedenta.

A consciência se voltou para o meu intimo.

Bairro escondido dentro de minha essência.

Sozinho se descobre que não é aparência.

Podemos encontrar o real sentido.

A verdadeira realidade do atman.

Aprender com nós mesmos.

Pois todos somos capazes.

De encontrar o Padme brilhante no eu.

Quando nos conhecemos,

Mergulhamos em nosso mundo particular.

Onde habita a origem do sofrimento.

O sinal do crescimento.

O reflexo é o que somos.

Pois vem de lá.

É preciso seguir e conhecer.

Alcançar todas as casas de nosso eu.

Bater em cada porta de nossas imperfeições.

Encarar e transmutar os erros em perfeições.

O ciclo da samsara é constante.

Ás vezes emocionante e marcante.

Tropeços...Derrotas...Desilusões

Na maioria feridas não cicatrizantes.

Sentimentos diversos existentes.

O poder da cura esta na mente.

Para cada habitante negativo eu converso.

Com sentimento em forma de verso.

O amor próprio me ajuda com o dharma.

Os moradores vão se convertendo com a calma.

Alguns insistem em permaneceram agarrados na dor.

Ananda reinará no coração com amor.

Todas as casas de nosso eu serão reformadas.

Existirá uma cidade de luz edificada.

Dessa forma a reforma acontece.

Sem negligência e o disfarce da prece.

O problema não é de Zambi.

É somente meu.

Depende da melhora do eu.

Zambi olha pelos filhos seus.

Pelo encerramento do samsara.

Oh Grande Pai!

Oh Divina Mãe!

Essa força maior a todos ampara.

Agora planto o jardim em minha alma.

Para colher as flores da Oxum.

Essa força que inspira a transformação do eu.

Que pulsa luz rosa.

A qual eu ofereço aos necessitados.

Irmãos desamparados.

Sofridos encarnados e desencarnados.

Luz....Luz....Luz....

De todas as cores da natureza.

Com sua força e grandeza.

Transcenderemos rumo aos lírios da beleza.


OM Shanti!

Por Carlos Junior

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Céu Azul Estrelado


Divino céu estrelado!

Que lugar é este que sempre sou levado?

O azul celestial sobre a minha coroa.

É pura luz!

Efluídos descem do alto.

Influídos do meu eu crescem pro alto.

Sinto-me amado.

Reflito e compreendo o incompreendido.

A lucidez se aflora.

Não me sinto mais perdido.

Que mundo é este onde reina o amor?

Novamente aqui estou.

Sou ejetado do físico para o seu colo consolador.

Mamãe Oxum!

Você se faz presente como eu nunca imaginei.

Como pode tal força me envolver.

Revelando quais os caminhos a percorrer.

Divino céu estrelado!

Lugar que conheci em minhas viagens.

Azul..Azul...Azul

Na sua casa estou de passagem.

Como é bom te pronunciar.

Permissão eu lhe peço para visitar.

Minha Mãe me trouxe para me banhar.

Mas que luz é esta diferente de tudo.

Cor não encontrada no mundo por mim habitado.

Irradiei e alcancei este éden do amor felicitado.

Um céu que liga à estrela maior.

A estrela mais brilhosa.

De uma Mãe Carinhosa.

Todas são uma.

Cobre de amor um a um.

Existe sim algo além das estrelas.

É a estrela da Mamãe Oxum!

Os Mentores estão comigo.

Um céu onde as luzes brincam com as estrelas.

Onde o sentimento iluminado envia seus emissários.

Luz Rosa..,Luz Rosa

Agora descobri a sua essência.

Mesmo no Azul da minha alegria.

Você surgiu e minha aura se expandia.

Oxum minha Mãe!

Eu deito e percebo um mundo dentro de mim.

Porque todos os seres não são assim?

À noite você me leva novamente.

Acordo e me vejo vivo neste no mundo consciente.

Nesta noite Divina Oxum você me surpreendeu.

Vivo dentro.

Vivo fora.

A elevação aconteceu de verdade.

Suas veredas me levaram a vivacidade.

Cheguei lá e só olhava para céu.

Eu não entendia nada.

Profusão divinal me encarava.

Parecia ter sido desenhada.

Sabia que o alto me observava.

O céu era bonito demais!

Sim, existiria alguma coisa mais.

De repente as estrelas dançavam.

As luzes coloridas se apresentavam.

Notei que existia uma força maior no céu.

Ela desceu sobre mim.

Eu não sabia o que fazer.

Envolvi-me com aquele sentimento.

Presenciava a formação do sutil.

Levantei as mãos!

A luz em forma de coração.

Presenciado somente em oração.

A minha frente a luz se propagou.

Outras luzes sobre a minha essência jorraram.

Não precisei perguntar.

Era só esperar.

Em minha mente uma voz pronunciou.

Luz da Oxum!

Luz da Oxum!

Novamente Oh Divina Mãe!

Você me emocionou.

Abrindo o meu amor espiritual.

As luzes se transformaram.

Benfeitores do amor se formaram.

Todos se apresentaram.

Tupã Oh Divino Pai!

Reverencio a tribo iluminada.

A luz do Caboclo.

O grande espírito vivente.

O amor da Cabocla do Oriente.

Coração da Oxum!

Leve-me sempre onde a sua força estiver.

Esforçarei-me para fazer por merecer.

E todos os dias eu irei agradecer.

Caridade...Fraternidade...Amor

Oxum de Amor

A cada dia novas sementes em meu ser.

Vivendo para aprender.

Divino céu estrelado!

Agradeço Mãe Oxum por mais um dia abençoado.

Essa é uma pequena homenagem que eu fiz para presentear o dia 25/01/2008. Dia em que eu tive uma maravilhosa e marcante experiência lúcida fora do corpo físico.

Por Carlos Junior

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Vovô Dizia


Folhas da ingratidão.

Vovô dizia!

A correnteza leva.

Seja devagar ou apressada.

Seu dever é seguir em frente.

Calmamente ou mal humorada.

Depende de nossa mente.

As águas obedecem mais uma jornada.

Esse é o fluxo da torrente.

Tudo passa.

Tudo caminha.

Nada ficará.

A planta fraca morrerá.

A arvore que se acha forte sucumbirá.

Os galhos do amor crescem e sobrevivem.

A arvore sem raiz não vive.

A força de vontade e a persistência o manterá.

O destino é sempre abraçado.

Nada pertence a ninguém.

Ninguém é submisso do nada.

As mudanças são constantes.

Sempre visando o melhor...

Falta o adubo da alma.

Se fizermos esforços.

A natureza se encarregará de fornecer.

Renova a terra improdutiva.

Novas sementes beijam o jardim.

Brotam o agir.

Novas borboletas irão colorir.

Flores em harmonia a espargir.

Pragas irão se afastar.

As aves alegres irão se alimentar.

O ciclo continua.

Pois amanhã o sol volta a iluminar.

Raiz forte se manterá.

Nova planta nascerá.

Procurar resposta?

Arrependimento... Tristeza... Decepção.

Faz parte da criação!

Crescemos ao lado da ingratidão.

Difícil saber.

Procure entender.

Ou melhor.

Zi fio não procure entender.

Não é preciso sofrer.

Tudo é previsto.

Tudo esta escrito.

Obra do Divino.

Não se lembras do Cristo.

Zambi criou o mundo para crescermos.

Tudo é real aos nossos olhos.

E se torna fictício quando realmente compreendemos.

Vovô dizia!

Riscava o chão.

Contava sobre a ingratidão.

Essa tal que tenta atingir o coração.

Só percebemos quando somos fracos.

Quando o ego precisa de alimento.

Quando o filho precisa do crescimento.

Essa é a tal sorrateira.

Brinca de testar os seres.

Os que praticam...

Fingem se sentirem aliviados.

Os que recebem...

Acham-se frágeis injustiçados.

Evolução do espírito.

Sentimento no Cristo.

Falta interiorizar a pureza que eleva.

Que depura a alma.

Vovô dizia!

Eu era criança.

Escutava e compreendia.

Percebia e nada podia.

A vida seguiria.

E com ela eu aprenderia.

Criança a esperança da mudança.

Criança a essência verdadeira.

Criança externa a incompreensão.

Criança escuta com os sentimentos.

Assim Vovô dizia!

Julguemos e culpemos.

Assim pensa a imperfeita humanidade.

Parece ser mais fácil.

Folha seca folha seca!

Vento levou para longe.

A natureza o guiou para onde?

Um dia foi feliz.

Quando seu verde brilhava na mata.

Será que realmente era feliz?

Será que soube aproveitar?

Porque será que caiu na frente das outras?

Folha seca folha seca!

Conte-me a sua vida!

Não me esconda nada!

Revele seus mistérios.

A ingratidão também lhe alcançou?

O sol queimou e você não agüentou?

Nos conte a verdade!

Preto Velho... Preto Velho!

Com alegria eu agüentei.

A terra me deu o sustento.

Os Orixás da mata o alimento.

A experiência me trouxe o crescimento.

Suportei todas as ingratidões.

Alimentava todos seres da floresta.

Verdadeiros amigos pidões.

Eu tinha a faculdade de me renovar.

Limpava o ar para todos suspirar.

Mas nenhum passarinho retribuiu-me com seu canto.

Somente a Mãe Natureza com seu encanto.

Desejava cair na ribeira.

E descer pela cachoeira.

Os Caboclos sempre estavam lá.

Levavam as minhas irmãs.

Ervas para ajudar.

Gotas de lágrimas escorriam na minha folha.

Não conseguia me expressar.

Sentia-me confuso e mudo.

Mas a Mãe Jurema dizia que paciência é tudo.

Pois alguns esqueciam.

Esqueciam de Ossain saldar!

Para Oxossi rezar!

Eu voei para longe.

Um índio me achou.

Eu virei defumador.

Subi como essência.

E na mata novamente estou.

Agora sou um ser elemental.

Minha irmã virou fumo de Velho Caboclo Caçador.

Pois é zi fio!

Algumas folhas secas são produtivas.

Conseguem ser feliz.

Mesmo parecendo sem vida.

Sem o verde da esperança.

Mas com o amor da bonança.

Pois almejam servir sempre.

Por mais forte que sejam...

Os ventos e as tempestades.

As folhas da gratidão sempre viverão.

Na madrugada do dia 10/01/2008, encontrava-me em meu ambiente de trabalho quando resolvi descansar um pouco. Horas depois na própria madrugada, levantei-me da cama e fiquei sentado na mesma pensando. Estava eu recebendo alguma inspiração do alto, meus pensamentos estavam pulsando idéias elevadas, então percebi que haveria de escrever algo, e sabia que era a respeito da ingratidão. Em seguida comecei a escrever este texto.

Abraços Fraternos.

Por Carlos Junior

Conversa com Preto Velho

Escrito por Fernando Sepe

À noite, quando a maioria das pessoas estão dormindo, diversas falanges espirituais se desdobram em trabalhos socorristas de assistência à humanidade encarnada. Devido ao sono, a queda natural do metabolismo e das ondas cerebrais, o corpo espiritual desprende-se naturalmente do corpo físico. Aproveitando-se desse fato natural e inerente a todo ser humano muitos amigos espirituais trabalham nessa hora da noite retirando essas pessoas do seu corpo físico, dando um toque sensato a elas diretamente em espírito, ou, simplesmente, trabalhando as energias do assistido com mais liberdade a partir do plano espiritual da vida.

Um dia desses, durante um trabalho de assistência, estava conversando com um preto-velho, que responde nas lidas de Umbanda, pelo nome de pai José da Guiné. Segue o diálogo:

— Pai José, esse trabalho de assistência na madrugada é enorme, não? O médium umbandista muitas vezes nem imagina o tamanho dele, não é mesmo?

— É sim fio. Trabalho grande, toda noite. Mas são poucos que lembram da espiritualidade dia-dia e mantém sintonia elevada antes de dormir. Isso acaba por barrar as possibilidades de trabalho em conjunto conosco, você sabe disso. A maioria dos médiuns por aí pensam que o único dia de trabalho espiritual é o dia de trabalho no terreiro. É uma pena.

— É verdade, as pessoas tendem a se preparar muito para o dia de trabalho no terreiro, mas esquecem dos outros dias.

_ Preparar? Muitas vezes eles nem se preparam fio. A maioria chega lá cheia de problemas e preocupações na cabeça. Dá um trabalhão danado acoplar na aura toda encardida de pensamentos e sentimentos estranhos deles. E nego num tá falando que preparação é tomar um banho de erva antes do trabalho, não...

— Ué, mas o banho de erva é importante, não é pai?

— É, claro que é. Mas num é tudo. Antes do banho de erva, seria melhor um banho de bom-humor, com folhas de tranqüilidade e flores de simplicidade, hehehe... Isso sim ajudaria. Num adianta colocar roupa branca, defumar, tomar banho, se o coração tá sujo, se a boca maldiz, se o rosto está sem alegria e o espírito apagado. Limpeza interna fio, antes de limpeza externa...

— Tá certo...

— Tá certo, mas você muitas vezes num faz isso né? Hehehe... Tudo bem, todo mundo tem lá seus dias ruins, o problema é quando isso se torna constante. Fio, a Umbanda é muito rica em rituais, em expressões exteriores de alegria e culto a divindade. Mas isso deve ser utilizado sempre como uma forma de exteriorizar o que de melhor trazemos dentro de nós. Não uma fuga do que carregamos aqui dentro. Volta seus olhos pra dentro e lá presta culto aos Orixás. Só depois disso, canta e dança...

Conversa de Preto-Velho - Parte II

— Quando estiver participando de um trabalho, esteja por inteiro, em corpo físico, coração e mente. Não faça das reuniões espirituais um encontro social. Antes de começar os trabalhos, medita, ora, entra em sintonia com o trabalho que já está acontecendo. Durante os cantos, busca a sintonia com os Orixás. Nesse momento, você e Eles não estão separados pela ilusão da matéria. Tão juntos. Em espírito e verdade...

— Acompanha as batidas do atabaque e faz elas vibrarem em todo seu ser. Defuma seu corpo, mas defuma também sua alma, queimando naquela brasa seu ego, sua vaidade, seu individualismo, que lhe cega os sentidos.

— Trabalha, aprende, louva, cresce meu fio. Mas o mais importante: Leva isso pra fora do terreiro! Lá dentro, todo mundo é filho de pemba, todo mundo tá de branco, todo mundo ama os Orixás...

— Mas aqui fora, logo na primeira dificuldade, duvidam e esquecem dos ensinamentos lá recebidos. Aqui fora, num tem caridade, fraternidade, Orixá, espiritualidade. Mas a Lei de Umbanda não é pra ficar contida no terreiro. A Lei de Umbanda é pra estar presente em cada ato nosso. Em cada palavra, em cada expressão de nosso ser...

— Percebe fio? Você é médium o tempo todo, não só no dia de trabalho, mas todo dia. Você é médium até quando tá dormindo...hehehe

Pai José fez uma pausa e eu fiquei a pensar a respeito da responsabilidade do trabalho mediúnico. De quantos médiuns por aí nem tinham idéia do trabalho espiritual que as muitas correntes de Umbanda desenvolvem. De como, a vivência de terreiro, demandava uma mudança interior, uma postura diferente em relação à vida. Enquanto pensava a respeito, pai José disse:

— É por aí mesmo fio. A partir do momento que a pessoa internaliza os valores espirituais, um novo mundo, cheio de novas perspectivas surge. Novas idéias, novos ideais. Uma forma diferente de encarar a vida. Esse é o resultado do trabalho. A caridade não é mais uma obrigação, mas torna-se natural e inerente ao próprio ser, assim como a respiração. A sintonia acontece esteja onde ele estiver, carregando consigo a Lei da Sagrada Umbanda em seu coração...

— Lembre-se: Aruanda não é um lugar! Aruanda é um estado de espírito... Você a carrega para onde for. Isso é trabalho. Isso é sacerdócio. Isso é viver buscando a espiritualização...

— Por isso, meu fio, faz de cada trabalho espiritual que você participar um passo em direção a esse caminho. Um passo em direção a unidade com o Orixá. Cada reunião, um passo... Sempre!

Notas do médium: Pai José de Guiné é um espírito que há muito tempo eu conheço, trabalhador incansável nas lidas da cura espiritual. Apresenta-se como um negro, com cerca de 50 anos, sempre com seu chapéu de palha a cobrir-lhe a cabeça e seu olhar firme e determinado. Tem um jeito muito direto e reto de falar as coisas sempre nos alertando a respeito de posturas incompatíveis com o trabalho espiritual. É um espírito muito bondoso com quem já aprendi muitas coisas. Fica aí o toque dele, que muito me serviu, a respeito de levar o terreiro para o nosso dia-dia.

Por Fernando Sepe

http://blog.orunananda.zip.net/

A história do velho Meji

Mensagem recebida por Fernado Sepe


A história do velho Meji

"Quando a alma queima de amor e o ser eleva-se além das estrelas;
Quando o espírito liberta-se da ilusão e os olhos contemplam a Unidade;
Quando o eu desaparece no turbilhão do divino;
Finalmente o toque da Luz..."

Era tarde, o céu já estava tingindo com a cor que antecede o anoitecer. O Sol, tímido, escondia-se na linha do horizonte. A tudo eu contemplava, pensando no milagre da natureza. Logo chegaria a noite e a luz das estrelas beijaria a face da terra. Romance que acontece desde o prelúdio dos tempos e que inspira os amantes com sua beleza. Sim, aqueles olhos terrenos tão cansados, mas que no meio das tristezas, aprendeu a ver a verdade do milagre...


De repente uma pontada no peito. Coração de nêgo já não era forte para a matéria, estava cansado de trabalhar. Mas para o espírito, era ele a grande
riqueza. Lá estavam as cicatrizes que nos fazem corajosos como o jasmim. Os
tesouros do amor e da amizade, as belezas da vida. Coração, tão maltratado
pela humanidade. Coração, altar da imortalidade...

A vida passa rápido. Naquele instante, como um raio que corta o firmamento.
Toda ela, dançando a frente dos meus olhos. Senti saudade dos sorrisos. Das
lágrimas o calor. E assim, entre o choro e a alegria, o espírito desabrochou...

O corpo tombou, sedento por voltar a terra...
O espírito voou, como um pássaro celeste...

Homens e mulheres choraram a ilusão da morte...
Mas a natureza, essa cantou a melodia da vida...

Minha alma tocava o céu em êxtase. A existência descortinava-se para mim,
pois agora o grilhão do corpo estava rompido. E a morte, o mergulho do corpo
em direção a Mãe Terra, estava longe. Na consciência tudo vive...

E eu vivia! A chama da vida ardia em meu peito espiritual como nunca. E nesse contentamento, nessa bem-aventurança incrível, dancei. Dancei e rodei como tantas vezes fiz. A sagrada dança dos Orixás, gestos que simbolizam as forças da Criação...

E tanto dancei, que me esqueci do velho negro Meji. Esqueci de tudo inclusive. Simplesmente esqueci...

E nesse esquecimento alguém disse:

"Aquele que busca a Luz, que morra mesmo depois de morrer..."

E foi ali, perdido no vazio, esquecido, que a gota de orvalho finalmente
voltou ao oceano.

Ah, o Orun! A terra querida dos Orixás...

Tanto busquei Iansã nos raios, mas neles encontrei apenas o seu olhar...

Oxalá nas nuvens, mas nelas apenas o seu semblante...

Iemanjá em cada gota d' água, e o que encontrei foi uma pequena pérola de
seu colar...

Finalmente, na morte depois da morte, a eles eu realmente me devotei.
Girando em volta do axé plantado no meu coração. Dançando de frente para o
verdadeiro congá. Apenas aqui eu realmente os encontrei. Aqui eles sempre
estiveram. O coração é o maior ilê, o maior dos congás. Não existe mistério
maior que esse. Não pode existir. Mas, mesmo que você saiba disso, só
morrendo para entender...

" Meji, quem é você? Um negro escravo? Um velho sacerdote? _ a voz da
Existência lhe perguntou.

_ Meji? Sacerdote? Negro? Não...

_ Mas então QUEM É VOCÊ?"

E nada mais se sabe a respeito do velho Meji. A lenda conta que sua boca não
respondeu, mas sua alma inflamou e ele queimou de amor. Morreu novamente.
Foi, enfim, viver a realidade de Oxalá, seu querido Pai. No seio do grande
babá, finalmente se encontrou...

Essa história ainda pode ser ouvida quando as estrelas surgem no céu. Dizem
que o velho Meji é uma delas, brilhando serena no firmamento. Iluminando e
velando os terreiros. É hoje uma das muitas jóias que ornam o Ori do velho
e amoroso papai Oxalá...

Êpa Babá!

Pai Antônio de Aruanda – Mensagem recebida por Fernando Sepe