Certo dia um homem chamado José, um executivo de uma empresa multinacional conhecida, acordou cedo, engoliu seu café da manhã e partiu para o trabalho apressadamente, se despedindo rapidamente da esposa e dos filhos, estes queriam falar com José sobre os assuntos de família, no entanto, José mais uma vez disse que não tinha tempo. Seguiu para o trabalho e mergulhou na correria do dia a dia.

Um belo dia quase na hora do almoço, estava sentada na sala quando escutou a empregada chamada Judite cantando, “ este iluminado a nossa banda, está cheio de luz nosso Congá.... Vovó ilumina os caminhos por onde eu passo”. Sem perceber que Dona Margarida estava em casa, pois a mesma é Católica e não gosta da religião de Judite, a empregada continuava cantando, ao tempo que cozinhava, e da sala Dona Margarida escutava os cânticos e refletia sobres os problemas da família, em seguida foi até a cozinha e surpreendeu Judite, que ao se deparar com a patroa se tremeu da cabeça aos pés:
- Desculpe-me Senhora Margarida, é que eu pensei que não havia chegado da rua!
- Não esquente Judite, eu ouvi a musica que você cantou, é lá do seu centro?
- É sim senhora, dos Preto Velhos!
Espantada com as explanações da patroa, Judite disse:
Margarida pediu para Pedrinho, o filho mais velho, avisar a José quando chegasse, que foi à igreja rezar, e assim foi ao terreiro acompanhada da empregada, que é Cambona neste centro. Chegando o Centro de Umbanda, recebeu uma senha e sentou-se na assistência, minutos depois foi chamada para um atendimento fraterno com uma preta velha, Margarida estava com medo, mesmo assim prosseguiu, imaginou o seguinte: “ já que sou uma pessoa culta e inteligente, saberei se estou sendo enganada ”. Então se lembrou de São Francisco de Assis e de sua humildade, percebendo que não estava sendo sensata com seus pensamento, pois estava fazendo julgamentos sem conhecer a religião.
Sentada na frente da Preta Velha, que fumegava seu cachimbo, Margarida estava toda arrepiada e não sabia o que dizer.
- Zi fia minha não precisa ficar com medo não, sobre as bênçãos de Zambi, você foi encaminhada até aqui por seus protetores espirituais.
Sem saber o que a preta velha dizia, continuou ouvindo.
- Eu sei que a filha veio aqui por causa dos problemas da família, ocasionado por seu perna de calça, filha a velha vai te dizer uma coisa, diariamente me deparou com certos vícios e costumes dos filhos da terra, aqui mesmo no terreiro vejo muitos filhos esquecerem de cultivar a paciência e a tolerância, a pressa esta inserida na alma do ser humano. Estão querendo mudar a natureza do criador, o homem com sua pressa passa por cima de todos os princípios que enriquecem a alma, e abrem mão do abençoado tesouro espiritual que é a paciência e a indulgência, e se comprazem com as frivolidades da vida. Filha na natureza tudo tem um começo, meio e fim, se mal começamos a engatinhar já queremos pular estas etapas, querendo logo o fim. Filha lhe assevero que o verdadeiro fruto que alimenta a alma, e que nos traz um crescimento real é o começo, lembra-se filha quando você e seu marido se conheceram? Tudo era maravilhoso e romântico, parecia um conto de fadas não é? Agora veja como se encontram hoje, só não se separaram porque ainda se amam, embora adormecido o amor de seu marido, sabe porque? Ele só vive apressado e correndo, não caminha mais, como vai lembrar do amor desse deito. O amor é um sentimento puro e sereno, suas veredas reúnem um conjunto de sentimentos puros que são dizimados pela pressa e intolerância. A pressa em querer, sempre querer tudo rapidamente, não esperando o tempo certo para o afloramento de determinadas coisas, faz com que o espírito seja envolto pela “ egrégora da pressa ”, obscurecendo a alma com as mazelas que tanto cercam esse mundo de provas e expiações. O homem se vicia em tal conduta e atrai para si vibrações inferiores, que nada contribuem para o aperfeiçoamento do espírito. Ficando com as costas pesadas por carregarem em suas vivências espíritos desencarnados e simpáticos que se afinizam com a pressa e a intolerância. A filha pode perceber que tudo na vida tem o seu tempo certo, o despertar desta consciência esta em nossos corações, o homem é igual a uma planta, ele nasce, cresce, reproduz e morre, não há como pular etapas é a lei do progresso. Mesmo correndo, um dia ele chegará à calmaria, é como uma torrente de água, que surge de uma nascente, en
contra a correnteza, passa por cima das pedras, folhas, galhos e outros empecilhos, descem pela cachoeira, e finalmente encontram um rio, lago ou um oceano de águas calmas. Filha a nega velha quer que você reflita sobre isso, quem ama cuida, você esta fazendo a coisa certa, o criador Zambi a todos olha. Esses turbilhões de mazelas que se instalou em sua família atraídos pela pressa, inconseqüência, irreflexão, intolerância e posturas desgovernadas. É reflexo das fortes ligações com as necessidades da matéria por parte de seu marido. Ocorre em todos os campos de nossas vidas, os filhos estão com suas mentes muito ligadas as coisas materiais, dizem que tem fé, se tivessem iriam acreditar mais naquilo que não enxergam, iriam acreditar no poder das orações, iriam sentir em seu peito uma forte irradiação ocasionada pela expansão do amor, quem ama se preocupa com os outros, se interessa em servir, em dar com uma mão e não se preocupar com o que a outra vai receber. Não tem inveja e ciúme do semelhante, pois o sol que ilumina um é a mesma estrela que um dia você o fará brilhar em sua essência. Filha o amor que ofertares e o bem que fizeres serão como asas que te colocarão acima das pedras e das urzes, garantindo-lhe um futuro de verdadeira paz, ampare seu companheiro e faça-o enxergar a natureza, para que olhe a imensidão do céu azul, o caminho pelo mar de Yemanja que reflete o sol, a lua, as flores, as arvores, o balsamo das cachoeiras da Oxum, e observar que nada foi criado de um dia para o outro, tudo teve seu tempo exato Devemos confiar na suprema sabedoria do criador, e passar a acreditar mais no que somos, espíritos imperfeitos em estágio de aperfeiçoamento. E pensarmos nos erros que sabemos terem sido cometidos por nós em outras vidas, e antes de pedir, refletirmos se estamos fazendo algo de bom ao próximo, se realmente buscamos o respeito com o tempo, que exige apenas que caminhemos, quem corre não enxerga o senhor do tempo.
Margarida percebeu que Cambonos escutavam aquela lição preciosa, que servia para todos. Agradecendo a Preta Velha, se retirou e foi embora para casa munida de coragem para renovar o seu casamento, e trazer seu marido de volta ao amor do seio familiar. Chegando em casa, seu marido estava dormindo, Margarida tomou banho e dormiu pensando em todas as palavras daquela humilde Preta Velha, algo em seu intimo o despertou, em todos os anos que freqüentou a igreja Católica nunca escutou algo parecido do Padre.
De madrugada José acordou assustado, nunca levantara para interromper o seu sono que dizia ser tão precioso, dirigiu-se à cozinha para beber água, neste instante sentiu um cheiro de fumo de cachimbo. Foi à sala e não viu nada, pensou na empregada, mas a mesma não fumava e não estava em casa. Sem saber de onde vinha aquele cheiro, ouviu uma voz feminina e idosa: “ Sarava zi fio meu! Muita luz em seus caminhos. Tenha carma fio, muita carma, você precisa parar de correr e querer que tudo aconteça logo ”, sem seguida a voz e o cheiro sumiram, José, que havia se escondido atrás do sofá, levantou-se assustado e foi para o quarto, pensou em acordar Margarida, mas logo desistiu.
Durante o sono José sonhou com uma Preta Velha, de semblantes humildes e simples, bondosa e sorridente, e de seu coração brilhava uma luz irradiante. Ao amanhecer José acordou diferente, refletiu sobre a madrugada e sobre o sonho, beijou seus filhos, conversou com a esposa abraçando-a, oferecendo todo o seu amor, inclusive disse que iria levar Joãozinho, filho menor, a escola, Margarida assustada não estava entendendo nada:
-Mas José você vai chegar atrasado no trabalho!
-Não tem problemas, percebi o quanto tolo eu estava sendo, esqueci que eu
tenho uma família maravilhosa, não há necessidade de tanta correria, a partir de hoje vou conciliar melhor o meu trabalho com a minha família, por falar nisso, neste final de semana vamos todos fazer um piquenique na beira de alguma cachoeira. Neste instante até os filhos que estavam dormindo escutam e foram correndo abraçar o pai, aquela manhã foi uma alegria só.
No final de sema Margarida contou sobre a sua ida ao terreiro de Umbanda e sobre as palavras da Preta Velha, José sorriu e disse, agora estou entendendo tudo, lhe prometo meu amor que serei mais tolerante e compreensivo, não irei esmorecer, pensarei não só em mim como venho fazendo, mas em todos vocês que moram em meu coração.
Inspirado por meu Guias espirituais.
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