domingo, 30 de agosto de 2009

Um Amigo do Oriente



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No âmago de palavras saltitantes

No arcabouço das idéias advindas

De meu estado de gratidão extravagante.

Selecionei essas pequenas e únicas pétalas

Crescentes em meu silêncio contemporâneo

Que sensibilizou o pensamento estanho.

Com atitudes simplesmente ligeiras

Homenageio um amigo valorizado

Em cada instante ao meu lado,

Sem exagerar em com a cautela

Precipitada em se falar de algo.

Chamaria de agradecer a um amigo

Que muito ainda tenho a conhecer.


Sem delongas lançaste

Um arquétipo sem regras

Sugando a perseverança.

Não falo da minha esquisitice

Atolada no limite

Amigo caseiro sem fronteiras

Acostumado a prosear com meus palpites.

Falo da sua certeza em mim,

Nas alegrias que dão bom dia

Nas tristezas que dão boa noite.

Nas ocasiões da vida à parte

No descarte das emoções

Mal amadas a melindrar as sensações.

No dharma sem tréguas

Figurado no drama das lamentações

Descortinadas pelo livre ser somente ser.

Sei que andaste no redor

Fazendo o que eu jamais merecia

Se fosse um perseverante ruim de pontaria.

Um ateu sem rumo desconhecedor

Da partida que não adia,

Curva-se adiante de meu chão

Em brasas e corro em direção

Ao que antes não via

Nos degraus que hão de muito ensinar.


Sem delongas mostraste

O pedaço do tudo distante de minhas mãos

Latentes a buscar o vento perseverante

Carregando uma alma inspirada

A voar sobre as montanhas

Contornadas pela minha merkaba livre e perfumada.


Não sou e não serei uma pedra frouxa

Instável as tempestades a lamuriar rachadura.

Mas a todo instante pareço macaquear

Um canteiro morto pela falta do estímulo

D’água perdido a encontrar abertura.

Desavisado nunca e nunca!

Seu longo cajado acompanha as viagens

Da alma sem desistir do nirvana

Que sopra fé em nossas lutas,

Seus braços erguem-me feito Durga

Como um conto de amor Saraswati

Num poema faceiro estilo Sutra.

Assim confesso meu velho do turbante,

Pois a nossa convivência ensina

A ser o que é preciso ser

Sem esmorecer com a flecha perfurante.

E caminho comigo mesmo

Sendo um aventureiro amante

Nas expedições do pão que

Alimenta a mente latente

Gravada na rocha védica do oriente.


Enquanto nada faço você inspira

Algo que preencha o espaço preguiçoso

Choramingado que avassala

O meu estado feudo.

Equilibrando o lado direito

E esquerdo ainda com medo.

Risquei o fósforo inocente

E búdico que dormia

Ao lado de sua família.

Encostei-os nos fios de

Cabelos tênues das duas irmãs

A fortalecer a fé sequelada.

Tipo alma penada ainda encarnada

A sentir o calor arder e morrer

Chorando até derreter.

Na certeza evaporada e conjugal

A noivar com a luz do Oxalá paternal,

Uma vela acesa em cada lado do congá

Antes apagado sem vontade e sem carnaval.

Abracei e senti o amor desse amigo

Curador que risca um fósforo

Erguendo as cores do amor

Na caverna escura que fala mal

Num peito afogado e sem sal.

Viajante das estrelas

Um brilho da Fraternidade Universal.


Um amigo e suas lembranças de outrora,

Da passagem pela Mãe África antiga...

Onde migrou feliz com sua gente...

Após a submersão de seu saudoso continente.

Lá retornou em várias vidas sucessivas

E se tornou o ancião da cura das feridas.

No passado antes desses tempos de África,

Antes desses tempos desérticos,

Nos templos de sua terra.

Desenvolveu e ampliou a mente

Com suas causas e efeitos comummente...

As antigas tradições tribais e sacerdotais.

Conheceu as sete leis universais,

Alimentou-se dos conhecimentos oriundos...

Da cosmogonia Africana com seus Orixás,

Do Egito com suas dinastias e seus faraós.

Da cosmovisão embarcada e vivida na antiga Índia.


Amigo Ancião!

Sua presença conforta os dias diversos

Enquanto espalho por ai um pouco

Da cura e sabedoria da Mãe Tara,

No coração o suave cantar da citara

Om Mani Padme Hum...

Veio dos céus de Avalokistevara.

Canção que embriaga o amor verde

Maha-mata iluminada pela beleza

Da menina Caboclinha Sidarta junto a Tupi,

Deslizando seus cabelos na cachoeira

Ao som da flauta Bansuri.

Deslumbrei o ritmo contagiante da menina cigana

De sari rindo e namastê krishna e Devaki.

Cantando e dançando ao som do coração

Espelhando purpurina de luz rosa

E dourada sem solidão.

Tablas, Erhu, Hamonium...

Todos tocam em minha alma

Sorridente o coral do equilíbrium...

Mentor e Mentora da família entoam AUM.

Oriente que vem de lá

Do amor das estrelas que voam.

Venha nave mãe flamejante sarava

Oxalá...Xangô e Nanã ouvindo o canto nessa lagoa,

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E beije os orixás e sua doce Oxum que ecoa.


Jamais negarei estender as minhas mãos

A jorrar um pouco deste amor aos

Ansiosos pela libertação,

Assim retribuo o que convém

Nos ambientes por onde passo

Seja mentalmente ou sacudindo os

Chacras que brilham em meu espaço.

Onde estarei nunca saberei,

Esse amigo ensinou-me a

Ser o amor em todos os cantos,

Seja no terreiro, nas festas, nos passeios...

Nas viagens, no trabalho, dentro de casa

Sem ninguém fisicamente falando.

Realmente percebo que carrego

Algo bacana que se une

Ao amor deste amigo médico

Sem título acampado em minha casa.

Muitos esforços de minha parte

Pois nada veio de graça.

Então sigo ao seu lado

Vivendo cada momento

Nos desafios da provação.

Felicidades em tê-lo ao meu lado,

Sigo firme nos ideais divinos,

E serei sempre o que me ensinaste a ser,

A continuar na luta,

A ser a verdade em acontecimento

Vivendo sempre com este amor

Hospedado na essência de um coração desenvolvido.

Ps: HTML clipboard Com palavras simples e da forma como gosto de expô-las, resolvi contribuir com uma breve homenagem a um amigo espiritual do oriente que tanto tem me ajudado, não só ele como toda minha família espiritual, aos poucos homenagearei um por um, mas resolvi falar um pouco dele por se tratar de ser o meu Mentor espiritual, ele me ajuda tanto que chego a me sentir envergonhado, sua presença em minha vida é algo que me impressiona, na verdade eu o considero como um membro de minha família, pois diariamente comparece em minha casa e me doa energias e sentimentos de amor fraternais, me convidando para as viagens astrais fora do corpo físico nos trabalhos de assistência aos irmãos necessitados, e nas projeções que me trazem aprendizado nas escolas extrafísicas, um amigo que não precisou falar a respeito, pois me levou pra conhecer e sentir o que significa a lei divina chamada "Fraternidade Universal", um amigo que me prepara com um desenvolvimento voltado para o corpo mental e a bioenergia curativa.

E o que mais me impressiona é a sua forma de me ajudar com as minhas dores, um passe seu faz com que as dores se diluam em uma água corrente, o que demoraria muito tempo para eu me recuperar, é curada e equilibrada no instante em que recebo um abraço desse amigo.

Não haveria como agradecê-lo, pois nos últimos dias passei por alguns pequeninos problemas emocionais que se tornaram grande, e diante de minhas dores me deparei com este amigo espiritual que não arredava o pé de minha casa enquanto eu não me sentisse bem.

A sua presença é tão intensa em minha vida, que no instante em que levanto da cama de manhã cedo, já recebo uma dose de energia deste amigo, que a todo instante me incentiva a não perder a esperança, e jamais deixar de acreditar em meu amor, não importa as dores e seus adeptos, pois tudo faz parte, o que muda é a forma como nos comportamos, agimos e pensamos perante as emoções que fazem parte deste processo, devemos procurar novos rumos consciênciais para continuarmos de pé sem esmorecer com a flecha perfurante, que a todo instante perfura a nossa alma com as dores dos desequilíbrios que flutuam em nossa terra planetária.

Um amigo que me fez notar que os meus sentimentos tornam as coisas possíveis, fazem com que o meu mundo floresça neste Maya de tantos desafios e muitos sentimentos necessitados de auto estima, ativada pela inspiração de uma força derramada das estrelas, e faz com que a felicidade resida em um coração que não desiste de ser o amor e seus passeios, um coração que apenas procura alguns terrenos para plantar este sentimento que canta poesias em meu peito.

Se os caminhos estão difíceis e bloqueados impedindo a minha passagem, eu procuro um atalho para pisar neste mesmo barro seco ou molhado, ou talvez um outro caminho para continuar pisando e jogando as sementes que germinam sentimentos bacanas que falam sobre esta força na vida que incentiva o caminho do meio perante tudo.

Bom, vou ficando por aqui.

Um Sarava de Amor a Todos!

Meu Pai Velho...Eu te amo Muitooooo!!!

Obrigado pela força!

Suas bênçãos e obrigado pela paciência junto a mim, a luta continua linda e bela como sempre foi.


Por Carlos Junior



quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dor e Esperança


Novamente sentado em meu horizonte,

Aguardando ainda não sei bem o que,

Talvez um presságio que me traga a nova inspiração,

Uma amiga passageira que reside em meu querer,

Talvez a esperança de um novo amanhecer,

Acostumada a encontrar o elo perdido

Afundado na dor que espera fingindo.


Estou aqui bem pertinho,

Um nobre sereno desanimou com as lágrimas,

Chorando com a lua que parecia responder,

Algo traduzido pelo poder das estrelas.

Ah Esperança!

Sei que ela anda por ai a vagar,

Quem sabe não vem,

Anda a me procurar,

Devagarzinho vem muda esverdeada,

Sozinha e apontando lá no céu,

Esquecerei a mentira que segue esbarrando,

Da dor que esvazia incomodando,

Esperança e dor,

Fico com a primeira,

Mas a segunda não é de se jogar fora,

Disseram que ela ensina algo,

Aborrecida bomba relógio!

Impaciente dor apertou o botão,

Explodiu num peito pacífico que fala em amor,

Tentei desativar e continuo arriscando,

Sem saber o que, mas sigo arriscando,

Cuidando desta bomba criada por mim.


Tic Tac.....Bum...Amor

Tic Tac.....Bum...Erros

Tic Tac...Bum...Pureza

Tic Tac.....Bum...Tormentas

Tic Tac...Bum...Paixão

Bum...Explodiu...A dor


Ah Esperança!

Angustias do poeta chorão disfarçado,

É assim mesmo, e assim foi e será,

Comigo, com você,

Com quem ainda virá,

Se sentes, estarás sujeito,

Faço coisas simples para agradar o coração,

E mesmo assim não sei o que faço,

Parece sem nexo a dor das palavras,

Gosto de não saber o que vou escrever,

Assim improviso o que bate sem avisar,

Desabafo colossal sem críticas,

E ainda tem quem goste do que escrevo,

Bom sinal não esquecera de mim,

Os apaixonados sabem traduzir,

Recito pensando em sentir,

Bendito Oxalá Menino!

Descrito no passado de meus versos,

Saudades de você amiguinho,

Santo...Santinho...Criança sentimental!

Cantando no microfone da dor mal curada.


Ah Esperança!

Sensação estranha me assombra,

Parece que estou renascendo mais saudável,

Os invisíveis cantam parabéns,

Acordei e pensei na mudança,

Mamãe chegou bem cedo,

Velhos e novos amigos,

Hoje estou ficando mais velho,

É o dia de um aniversariante,

Um amante das coisas do coração,

Um menino homem que enxerga o sentir,

Ensinando o amor sem saber o que é,

Falando de sentimento estando com ele sofrendo,

Não tem jeito, a natureza assim o fez,

Contagio as pessoas e sigo contagiado,

Cuido das dores alheias, mas não das minhas,

Acreditar! Já não sei mais no que acredito,

O mundo fala de muitas coisas,

Muitas nuvens no calafrio da dor,

E eu permaneço presente no todo,

Acredito na simplicidade do amor,

E nada mais pertinente a tantas coisas,

Sei bem perceber a ilusão sem cor,

Diante dos passos que ninguém vê,

Aprendi com a linguagem de meu vazio,

Assim vivo como sempre quis viver,

Decifrando as respostas da intimidade,

Olhos rasgados desvendando mistérios,

Alma espiã sofredora que me acompanha,

Espírito amoroso ainda não reconhecido,

Fiel disputa das emoções atormentadas,

Aureola mergulhada em um peito esperançoso.


Ah Esprença!

Gostaria de reclamar com o universo,

Mas não saberia por onde começar,

Então peço paciência aos que me cercam,

Ainda não aprendi com este Astro,

O que sou não tem nada haver com isso,

E mesmo assim tenho que viver com isso,

Nada logrou em mudar meus pensamentos,

Sigo participando sem brigar,

Seja com dor, alegrias e outra coisas,

Se soubessem de meu amor sonhador!

Talvez conseguiriam juntar as minhas letras,

Percorrendo em meu mundo consigo escrever,

O que o presente espaço não inspira ser,

Sonho em ser a realidade de meu silêncio,

Gravando a dor na esperança,

Fazendo as coisas acontecerem,

Movimentando a viveza das plêiades,

Desafiando as dores que tenta me rebaixar,

Costumes da senda que avança sem parar,

Tantos personagens do Samsara ardente,

Ora esbarro com um, ora esbarro com outra,

Se pudesse festejaria cada encontro,

Alguns esbarrões causam dores,

Outros encontros trazem felicidades,

Apresento-lhe o ciclo do crescimento da humanidade.


Ah Esperança!

Obstinada folha verde,

Artista principal desta obra,

Afaste de vez o câncer da dor,

Farei o que possível for,

Mesmo sem o perfume da flor,

Tudo passa, essa também passará,

Não sei como, mas virá,

Na manhã de um novo amor.


Ah Esperança!

A noite passada uma visão,

Era o interior de uma bela casa,

Necessitava de reformas,

Pois as dores racharam o piso,

Arrancaram as cores das paredes,

Entendi, preciso buscar a outra parte,

Não posso viver desta maneira,

Preciso de ajuda,

Haveria sentido no que sou,

Pois que a esperança reside,

Na longa edificação na alma,

Não posso desanimar, preciso arriscar,

Arriscar a nova vida,

Nos novos encontros e desencontros,

Por enquanto respiro a dor,

Sinto a fé da esperança chegar,

Um pedreiro que repara com sabedoria,

Amanhã voltarei a encontrar o que sinto,

Um amor encontrado nas pequenas coisas,

Na simplicidade que me fez acreditar,

No amor que fala sem reclamar,

Na serenidade que dói para ensinar,

No universo que atrai para mim o que sou,

Na esperança que jamais me abandonou,

Pois hei de esperar o debruçar do amor.


Por Carlos Junior


quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Justiça II


Em cada sentimento lançado ao tempo de meu tempo,

Jurei interpretar a justiça do que penso,

Permanecendo atento ás vozes do mundo delirante,

Suplicantes as esferas do alívio curador,

Só assim pude participar da arte na vitrine do pensador,

Ontem eu podia escolher as cores,

Mas recusei-me a segurar o pincel,

Ontem eu podia rabiscar,

Mas não desenhei a justiça jubilar,

Hoje a noção de ação é o pensamento real,

Hoje peço ao médico do planeta o remédio “oportunidade”,

Uma força justa que sempre seguiu sarando,

Hoje resgato e sou resgatado de minhas dores,

Hoje seguro os perdidos que nunca se perderam,

Hoje reencontro o meu espírito nunca esquecido,

Recuperando no curto espaço, a vida na vida,

Desfrutando daquilo que chamam de amor,

Mesmo fazendo muito pouco...

Como espírito da pequena caridade,

Pareço estar anônimo, mas não estou,

Sou assim, um metido a pensador,

Um filho de Xangô peregrinando pelas margens do rio,

Declamando aquilo que vou encontrando pelo caminho,

E se um algum dia, na rotina de quem ama,

Sabotarem a minha natureza apaixonada,

Sabereis que somente tentaram,

E que tentarão outras vezes,

Mas sempre esbarrarão no que sinto,

Isso sim é justiça!


Em cada sonho interpretado o amor ganhou,

Caminhar sem parar,

Pai Velho profetizou,

Sonho meu que nunca cessa,

Deixe-me ser um escritor,

Um coadjuvante da justiça poética,

Talvez eu nem precise ser ninguém,

E se eu pudesse ser alguém?

Quem eu seria?

Gostaria de ser o que sinto,

Bom, isso seria muito complicado,

Precisaria entender o abstrato,

O crescimento da paixão pelo sentimento vivo,

Sim, ainda sou muito pequeno para alcançar o que penso,

Não, ainda não cresci para ensinar a viver,

Gostaria de saber o que pensar,

Acho que vivo em algum lugar,

No passado e no presente vivido diferente,

Neste passado busco as inspirações para o sustento no presente,

Neste presente as marés de rosas incentivam o trovador do pretérito,

Soltando as vozes do coração sensitivo,

E que lugar é este que hoje sigo andando?

Só sei que há muito ando pisando nesta terra,

E aqueles que não querem andar?

Não sei, não sei nem de mim,

Só sei que não deixarei escapar a justiça de meu chão,

Adaptarei-me aos novos tempos presenciados,

Fiz muitas juras que se uniram às promessas,

E hoje penso em não mais jurar,

E sim praticar o sentimento que arde em meu peito,

Vivendo no tempo que sigo andando,

Sei que não gosto dos novos tempos,

Sei que não pertenço a esta nova estação,

Uma época cheia de identidades falsas e anomalias,

Mas se há justiça nisso,

Não posso reclamar do tempo ditador,

Sou obrigado a acreditar na consciência universal,

Na justiça transbordada da fonte do criador,

Nas exceções que fazem o planeta respirar,

Então admiro os que resistem,

Os que contribuem com a cura da Mãe Gaya doente,

Os que conseguem sobreviver neste tempo,

Praticando a lei de harmonia no tumulto pensante,

Reverencio a espiritualidade crescente,

A religiosidade madura em vários templos,

A relação com as pessoas, as estrelas,

Os livros, a música, a família, os poemas,

Os amigos, o meu cachorro zulu, minhas plantas...

Isso sim é justiça!


Em cada morada da consciência encontrei a felicidade,

Pequenas passagens da mente na mocidade,

Gostava mesmo era da atmosfera na roça antiga,

Na beira do rio onde brinquei descalço sem me preocupar,

Pescando conforme Pai Santos ensinou-me,

Tendo paciência, pois o grande peixe virá,

Sabendo escolher o bambu, o nylon, a isca certa para cada peixe,

Comendo as frutas nas árvores frondosas do ensinamento,

Numerosas histórias nas cachoeiras milagrosas,

Nas brincadeiras que divertiam os meninos felizes,

Sentado no pedaço de madeira lisa de piscina,

Escorregando no pasto molhado onde canta a siriema,

Ave da manhã, sempre em seu lugar,

Durante a brisa que anunciava o dia,

Memórias daqueles que nunca desistiram de tentar,

Sorridente eu respirava o que vivenciava,

Descia a serra de bicicleta com a molecada,

No bagageiro a marmita feita pela tia,

Abria a porteira e o cachorro latia,

Delicioso café na fazenda,

Queijo fresco, pães, biscoito e bolo de milho da tia,

Sentado na varanda acompanhava a Mãe Luzia,

Divertia-me chamando a garnisé do quintal,

Pois é, caboclo do mato aprende muita coisa,

Volto ao morro da seriema,

Historinhas da vida feliz,

Zéfinho era um amigo nesta roça,

Levou um tombo durante o escorrego,

Sentado naquele pedaço de madeira lisa,

Todos gritavam: “Cuidado Zéfinho! Vai se estabacar”,

Mas não teve jeito, Zéfinho perdeu o controle do veículo,

E veio a colidir no bambuzal da beira da mata,

E apesar da dor sentida por Zéfinho,

As alegrias e os risos marcaram aquele cantinho,

Agora era época de pipa,

Acordávamos cedo para fazermos as voadoras,

Pois não vendiam no armazém,

Nós os meninos é que caprichávamos na criação,

E com a pipa no vento eu gritava:

“Hoje não tem pra ninguém!”,

“Vou cortar geral lá do curral!”,

Os amigos riam e disputávamos no alto,

Enquanto a Vovó Leopoldina cozinhava no fogão a lenha,

Carne seca com abóbora aguardava ao meu retorno,

O angu e a canjiquinha não podiam faltar,

À noite havia muitas coisas legais,

A fogueira de São João,

A fogueira que não era de São João,

As histórias de Zé Pretinho,

A conversas com a Vovó Leopoldina,

Com seus quase 100 anos de idade,

O bate papo com amigos,

O céu estrelado,

O cheiro da natureza,

A lua prateada clareando a paisagem,

A pesca e a caça noturna,

A brincadeira de salada mista,

Essa eu tenho que contar,

Nana assim era chamada,

Morena linda de olhos verdes e cabelos longos,

Todos queriam beijá-la,

E eu um tímido da época fingia que não sabia,

Pois ela guardava uma paixão por mim,

Na dancinha, uma festa de música romântica,

Nana era a mais disputada,

O ontem no presente, hoje histórias do coração,

Acreditar no sentimento bom faz tudo valer a pena,

Momentos felizes, que podem ser vivenciados a todo instante,

Viver impondo limites a tantos erros,

Viver sem limites a vida sadia e prazerosa,

Viver sem se contaminar com os novos tempos,

Viver apaixonado pela vida na cheia e na vazante,

Saber viver, isso sim é uma justiça marcante!


Em cada passagem digladiei o elo de meu ser,

Acreditando em fazer a alma crescer,

Convivendo com a influência agressora a justiça do amor,

Narrando os sermões de minha consciência iniciática,

Valorizando os pensamentos diversos,

Descobrindo a importância do viver,

E mesmo no cansaço que não cansa,

Subirei a serra das dificuldades onde alcanço,

E lá no final onde nunca termina,

Finalmente abandonarei a sombra que contamina,

E donde eu estiver,

A felicidade contará ao eterno que acreditou na esperança,

E que tudo valeu a pena,

Basta seguir as Veredas da Oxum,

Mesmo que seja um grito de justiça ao silêncio,

Mas alguém no infinito há de ouvir essa voz.


Em cada riacho sublimado lancei o meu destino,

Afundando a corrente do desalinho,

E nas águas de minhas experiências,

Pisei no terreno que me fez agricultor,

Cultivando o sentimento humilde,

O mais próximo da justiça crística,

Tentando unir a minha alma ao universo cósmico,

Sabedoria inspirada por Pai Velho,

Tentando resgatar o sentimento humilde que se perdeu.

Aquele que sabe se curvar perante o ego,

Aquele que sabe se curvar e sentir o cheiro da terra,

Aquele que vê mais claramente a felicidade onde pisa,

Aquele que entendeu a justiça no coração da humildade,

Quanto tempo perdido,

Queria tanto ter me encontrado há mais tempo,

Lá no princípio quando inspirei o ar mais puro,

Nada foi perdido,

Hoje reencontro às marcas que deixei no passado,

Aceitando a sabedoria do mestre do caminho,

A luz que me indicou a trilha do amor,

Esculpida na selva de meu universo interior,

Atendendo ao chamado que vem de algum lugar,

Do mestre coração,

Tudo vem de cá,

Tudo vem do mestre sentimento,

Não há dores sem causas,

A cura da alma dependerá do que fizeres com as suas marcas,

A vida sempre responderá com seu evangelho,

A justiça ocorre na vida daqueles que praticam a justiça,

Daqueles que vivenciam a luz do mestre amor,

Não julgo os erros alheios,

Também não me culpo pelos meus erros,

Mas sou julgado pela minha consciência,

Que gerencia as verdades na justiça encontrada na estrada.


Em cada sol que do alto surgia,

Descobri que a justiça fez o meu dia a dia,

Histórias narradas pela tristeza e alegria,

Compreendi a importância de estar ali,

Dando vitalidade ao prana que nos mantém de pé,

Em outras vidas aquele mesmo sol ali flutuava,

E hoje esse mesmo sol rememora a minha jornada,

Mergulhei profundamente em seus raios,

Encontrei o povo da justiça que no templo comemorava,

Avistei a antiga sabedoria da raça dourada,

Avistei o pico do Himalaia onde o sol descansava,

Lá onde o ego não pode alcançar,

Pois sente o frio e o calor da justiça que abrasa,

E isso gera medo à insegurança,

Medo de seguir o caminho do meio,

Medo da justiça que caça a personalidade desviada,

Um Caboclo de Xangô era quem orientava,

Levantou as duas mãos fechadas,

E apontou-me a localização do machado divino,

Disse que esta logo ali ao nosso alcance,

Disse que podemos segurá-lo,

Ensinou-me a ser o servo da justiça,

Disse que não há necessidades em se pedir a justiça,

Pois tudo é programado e justo,

Só basta segurarmos no machado,

Pois aquele que planta amor colhe a justiça,

Aquele que acaricia a pedra afasta o pedregulho,

Disse que o desenvolvimento esta em nossos corações,

Disse que às vezes precisamos bater forte no peito,

Visando estremecer os corpos em união,

E tocar o sino da consciência e do coração,

Para que o amor possa funcionar,

Desfazendo a residente simbiose nefasta,

Disse também que ao praticarmos a justiça do amor,

Esse machado pesa com o nosso axé,

E bate em nossos caminhos incitando a justiça acontecer.


Em cada virada de página, pensei nas verdades,

Quantas brigas traduzidas em desigualdades,

Quantas vivências,

Quantas experiências,

Um roteiro arvorou-se em minha mente,

Não caberia um longa-metragem nessas linhas,

Chamaria de: “A Guerra das Verdades”,

A verdade pertencente ao pacote da justiça,

Pois na vida cada ser acredita em uma verdade,

Naquilo que crer e vê com os olhos diversos,

O indivíduo segue esta verdade crescente no espírito,

Segue desfrutando do que acredita,

Segue a sua verdade predominante em seus pensamentos,

Enjaula na mente essa verdade acreditando ser a verdadeira,

E tem aqueles que fazem de sua ideologia a verdade para todos,

E todos se tornam iniciados das verdades espalhadas,

Em cada esquina,

Em cada canto,

É erguido um jardim de infância desta verdade,

Apregoam as verdades em todos os meios possíveis,

O ciclo da verdade se torna à vida experimentada,

Esta verdade plantada é o que decidirá o que somos,

É o que decidirá em qual andaime escolheremos para subir,

Pensar na verdade ás vezes parece cansar,

Mas se a palavra “cansar” também é uma verdade,

Mesmo cansado continuarei inundado pela verdade,

E se eu resolvesse me cansar de mim mesmo,

Estaria me cansando da verdade,

Já que também sou uma partícula da verdade,

Abandonar as verdades é desistir da vida,

É um suicídio consciencial,

Fugir da guerra das verdades é parar no tempo,

È o sonambulismo durante a vida que segue,

È a magia mental preguiçosa e covarde,

Vistam-se com as armaduras cavalheiros de Cristo,

Peguem as armas das verdades e saiam vencedores,

Tornem as verdades uma só verdade,

Pois o individualismo-verdade sempre quer uma briguinha,

Quer sempre passar por cima de outra verdade,

E eu não sei como separar essas verdades,

Confesso que já tentei me esquivar,

Tem vezes que prefiro não me meter, só observar,

Pois já disse que ando pelas margens,

E mesmo assim sofro ataques esporádicos,

Levo um soco de uma outra verdade agressora que impõe,

Confrontos diários dos pseudo-sábios,

Querem que a sua verdade seja a verdade dos outros,

Egoísmo da verdade burra,

Querem que todos aceitem a sua verdade,

Não respeitando a verdade do próximo,

Que pode querer aceitar ou não uma outra verdade,


“Conheceres a verdade e a verdade vos libertará”


A cada dia realmente se descobre uma nova verdade,

A cada dia creditamos mais verdades em nossas mentes,

E a sua verdade anterior se torna obsoleta,

E o que parece ser injusto no presente,

É justamente o reflexo da justiça do passado,

Dá justiça que a todo instante altera a programação,

Quem sabe mais ensina quem sabe menos,

Quem sabe menos um dia saberá mais,

Aprender, arquivar, estudar, transformar e evoluir,

Desta forma funciona a guerra das verdades,

Uma sociedade guerreando entre si,

Mentes interligadas em constantes confrontos,

A cada segundo uma verdade da terra sobrepõe a outra,

Cada indivíduo sustenta como pode a sua verdade,

Seja ela descabida ou não,

Alguns lutam para compartilhar mais e mais,

Outros não contribuem com nada,

A lei de harmonia vencerá um dia nesta terra,

No dia em que todos descobrirem a verdade real,

No dia do cessar fogo na guerra das verdades individuais,

No dia em que as verdades se tornarem unas em pensamentos,

No dia em que não houver mais religiões,

Pois estaremos harmonizados com a justiça do amor,

Cada ser será a sua própria religião,

Cada ser viajará no cosmo emanado de felicidade,

Cada ser crescerá não mais com a verdade do próximo,

Mas sim com a energia de amor dos corações,

E verás que a única verdade existente é o amor,

No dia em que houver somente um governante no planeta,

Inexistindo a divisão, e sim a união de uma nação,

E esse irá governar impelido pela justiça do amor,

Inexistindo os políticos corruptos,

As rosas cobrirão o espinheiro de orgulhos e vaidades,

Ninguém mais chegará ao extremo de matar, de comer carne,

De se alimentar do sangue, da dor e sofrimentos dos animais,

De poluir a nossa atmosfera que chora,

De acabar com o pulmão de Ossanha que fornece oxigênio,

E que conserva a umidade e o solo de Obaluayê,

De destruir o reino mineral e vegetal,

De vender o planeta terra que não agüenta mais tantos maus tratos,

Do descuido e aniquilamento da água potável,

Maleime oh! Divina Oxum,

Esse dia chegará,

kaô kabecilê!

Deixem a justiça do amor reinar,

Escrituras sagradas do livro de Xangô,

As mentes primitivas se cansarão de seus crimes,

As verdades serão conjuntas, dinâmicas, transmutáveis e evolutivas,

Atualmente a nossa verdade guerreira é relativa,

Ainda estamos nos preparando para a verdade universal,

Transformando os nossos corações para nos sutilizarmos,

Libertando a nossa mente em hipnose,

Só assim alcançaremos a verdade pura,

Pois a nossa freqüência vibratória permitirá tal sintonia,

Enquanto isso guerreamos dia a dia,

Com as nossas verdades incompletas,

Com verdades que percorrem no vento,

Somente a paciência do Orixá Tempo,

Com uma verdade que amanhã se transmutara em novas verdades,

Iniciamos no jardim de infância,

Que é o nosso planetinha,

Em seguida vamos trocando de série,

Planetas mais adiantados,

Até alcançarmos a Universidade da Verdade,

Mas para isso é necessário o preparo,

O pré-vestibular das verdades,

Que é a ampliação da consciência,

A aliança com a consciência cósmica,

O amor nos corações,

A transformação das almas,

E a ação de tudo aquilo que julguei ser a justiça.


Se algum dia você ouviu de alguém o seguinte:


“Não se pede justiça a Xangô, devemos pedir misericórdia”,


Isso é pura verdade, se você entendeu o sentimento deste texto,

Verás que a resposta foi elucidada.


Por hora é o que tenho a relatar.

Continua...


Por Carlos Junior