Deixa-me saudar quem não vejo,
Mas também quero saudar quem minha alma vê.
Deixa-me sonhar e acreditar neste doce lampejo.
Queria novamente daquele sábado lembrar,
Do dia em que deslizei pela brisa da mata cheirosa.
Do espetáculo dás águas,
Que passavam cantando e aplaudiando a gira inteira.
Subiam aos céus com o toque do atabaque.
E retornavam na reza de chuva da Nanã benzedeira.
Enquanto eu pisava na terra molhada que existia ali na beira.
O culto a natureza em uma sessão na cachoeira.
A festa dos orixás,
A força do Juremá,
O cheiro de mato molhado que me deixava muzambê.
A alegria de Mariazinha correndo para o rio.
Sorri como criança com a mironga que envolveu o meu coração.
Olhei para o céu e vi a luz do sol em oração,
Brilhando na morada do eterno feliz,
Que ás vezes confunde o que seja o real sentido do amor.
Olho de dentro para fora admirado com a saudação do por vir.
Olho de fora para dentro e sinto uma energia que me faz rir.
Deslumbro o trajeto que percorri e o quanto progredi.
Uma voz disse-me que não importa o tamanho das pedras.
Pois você seguirá,
E muitos outros te seguirão.
A sua tarefa é ser o próprio exemplo de sentimento bom.
E deixe que as águas do rio levem as pedras para baixo.
Aonde não atrapalhe o trajeto do peregrino da Oxum.
Deixa-me então entrar em sua vida,
E lhe mostrar que não sou mais um.
Deixa-me então saudar as montanhas de Xangô,
Onde nasce a essência da verdade que buscamos.
Lá onde Olorum plantou a consciência maior.
Lá onde o grande espírito deixa rolar a pedra que precisamos.
Kaô meu Pai!
Moradores do alto que sustentam o baixo.
Encontraras a luz quem acredita.
Trilha que o espírito terreno diz ser cansativa.
Caboclo teimoso!
Olhe para a natureza e o verde da mata prometida.
Caboclo preguiçoso!
Suba a sua montanha interior e não desista.
Lá onde o grande pássaro da mente sonhadora habita.
O nosso animal de poder interno que do alto enxerga o todo.
Um pássaro que canta para saudar a liberdade da alma.
Uma visão de cima,
Que percebe a cerimônia do amor na paz contida.
Uma terceira visão que enxerga o coração da vida.
Kaô meu Pai!
Deixa-me acreditar que o destino fica em algum lugar.
Mesmo sem saber aonde vou parar.
Como diz Pai Velho:
Filho o que importa é chegar!
Por esses e outros motivos,
É que eu quero saudar!
Saudar Zé Pelintra,
Laroyê Exu,
Saudar Povo Cigano,
Saudar Marinheiros e Baianos,
Sarava Preto Velho,
Saudar Povo do Oriente,
Oni Ibejada,
Okê ao ancião Xamã da tribo dos caboclos,
Saudar toda fraternidade que labuta na Umbanda,
Sarava Olorum!
Namastê Brahmam!
Salve Tupã!
Salve minha família
Salve a vida,
Kaô Kabecile!
Também somos reis de nosso axé.
Ora Yê Yeo!
Águas que ensaiam a canção da felicidade.
Rio do grande coração que envolve o universo com amor,
Os nomes não importam,
Então saúdo a sua natureza particular.
Namastê irmão amado!
Saúdo a minha essência que envolve a sua essência.
Sarava de amor irmão amado!
Os Orixás que habita em mim saúda os Orixás que há em você!
Meu Pai!
Minha Mãe Divina!
Deixa-me saudar a alegria do amor que me contagia.
Deixa-me lhe mostrar o que é capaz uma mente em harmonia.
Inspiro-me no amor e na doçura de meus mentores.
Invoco a força de meus Orixás.
Júbilo na emoção das estrelas coloridas.
Choro de felicidade envolvido pelo extase amoroso.
Invoco os Anjinhos da Fraternidade da Constelação de Órion.
Mentores do amor que se ligam ao chacra Anahata.
E se manifestam pela vibração do amor.
Invoco a poderosa divina presença do EU SOU.
E me pergunto quem eu sou?
Quem somos nós?
Uma consciência imperfeita e confusa em busca da resposta.
Para este universo espiritual infinito,
Que inspira o equilíbrio para a bondosa alma disposta.
Eu sou assim,
E assim sempre serei,
Bebo em todas as fontes,
Mas saúdo em especial,
A Umbanda que um dia encontrei.
Namastê!
Om Shanti!
Um Sarava de amor a todos!
Por Carlos Junior