Ao receber o amor para rascunhar,
Vou rabiscando na branca paisagem em seu ar,
A sinfonia do sobe e desce é o rascunho que se apresenta,
Fluxo harmonioso aspira o peito que não lamenta,
Uma jóia disfarçada em coração esboça seu nome,
A noite rascunha a bela imagem da Deusa encarnada,
A Vênus no amor dos olhos meus ora desenhada,
Um rascunho que não se cala e tenta me convencer,
Anoiteceu e encontro mais desenhos que no claro,
Durante o sol o rascunho borra com facilidade,
Silêncio da noite nas esferas de luz própria,
Pérolas do céu riscando a constelação das flores,
Dias claros há lindos desenhos também,
Quando rascunhamos na mesma tela do astro sol,
E mesmo que esteja escondido pelos algodões das ovelhas,
O romântico leão estará de prontidão em nossas telhas,
E mesmo que esteja abraçado pela combustão dos pensamentos,
O valente leão aguardará as nuvens de passagem,
Noite singela noite flutua além das paragens,
Noite onde a tímida mente sonhadora ergue as carruagens,
Diamantes do céu que hão de entender o meu rascunho,
Diante de tudo que brilha cantarei,
Mas ainda sim diria que não nunca toquei,
Nascerei quantos anos ainda não contei,
Anjinhos do céu que declamam a magia dos rascunhos,
Doce balé das mãos que residem em meu futuro,
Passos largos passos desencontrados,
Pintura morosa formadora dos rascunhos meus,
Inspiração encantada jamais abandonada,
Estou chegando e hei de encontrar o lugar,
Segurando o lápis da humildade rascunho a felicidade,
Compreenderas e saberão das cores,
Rascunharei seu coração sem perceber,
As palavras são assim,
O amor se desenvolve em mim,
Sei que brotam no mar do meu desconhecido,
Lá nas profundezas do rascunho sagrado,
Onde cada segundo contorna o minuto flagelado,
Rascunhos da vida feliz,
Rascunhos de Shanti,
Rascunhos de Sarava,
Rascunhos de um ser encontrado,
Rascunhos de um xangô apaixonado,
Por favor, oh vida que me apanha,
Sítio que me permite crescer,
Quero aprender a ler e escrever com os rascunhos,
Sonhos apanhados e pintados pelos meus punhos,
Pequeninos triângulos,
Rascunhos que amo,
Pequeninos quadros,
Circundado pelo meu esquadro,
Hoje os meus rascunhos são multiplicados.
“Que me perdoe
Se eu insisto nesse tema
Mas não sei fazer poema ou canção
Que fale de outra coisa que não seja o amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração
Como expressão”
Por Carlos Junior