Em cada sentimento lançado ao tempo de meu tempo,
Jurei interpretar a justiça do que penso,
Permanecendo atento ás vozes do mundo delirante,
Suplicantes as esferas do alívio curador,
Só assim pude participar da arte na vitrine do pensador,
Ontem eu podia escolher as cores,
Mas recusei-me a segurar o pincel,
Ontem eu podia rabiscar,
Mas não desenhei a justiça jubilar,
Hoje a noção de ação é o pensamento real,
Hoje peço ao médico do planeta o remédio “oportunidade”,
Uma força justa que sempre seguiu sarando,
Hoje resgato e sou resgatado de minhas dores,
Hoje seguro os perdidos que nunca se perderam,
Hoje reencontro o meu espírito nunca esquecido,
Recuperando no curto espaço, a vida na vida,
Desfrutando daquilo que chamam de amor,
Mesmo fazendo muito pouco...
Como espírito da pequena caridade,
Pareço estar anônimo, mas não estou,
Sou assim, um metido a pensador,
Um filho de Xangô peregrinando pelas margens do rio,
Declamando aquilo que vou encontrando pelo caminho,
E se um algum dia, na rotina de quem ama,
Sabotarem a minha natureza apaixonada,
Sabereis que somente tentaram,
E que tentarão outras vezes,
Mas sempre esbarrarão no que sinto,
Isso sim é justiça!
Em cada sonho interpretado o amor ganhou,
Caminhar sem parar,
Pai Velho profetizou,
Sonho meu que nunca cessa,
Deixe-me ser um escritor,
Um coadjuvante da justiça poética,
Talvez eu nem precise ser ninguém,
E se eu pudesse ser alguém?
Quem eu seria?
Gostaria de ser o que sinto,
Bom, isso seria muito complicado,
Precisaria entender o abstrato,
O crescimento da paixão pelo sentimento vivo,
Sim, ainda sou muito pequeno para alcançar o que penso,
Não, ainda não cresci para ensinar a viver,
Gostaria de saber o que pensar,
Acho que vivo em algum lugar,
No passado e no presente vivido diferente,
Neste passado busco as inspirações para o sustento no presente,
Neste presente as marés de rosas incentivam o trovador do pretérito,
Soltando as vozes do coração sensitivo,
E que lugar é este que hoje sigo andando?
Só sei que há muito ando pisando nesta terra,
E aqueles que não querem andar?
Não sei, não sei nem de mim,
Só sei que não deixarei escapar a justiça de meu chão,
Adaptarei-me aos novos tempos presenciados,
Fiz muitas juras que se uniram às promessas,
E hoje penso em não mais jurar,
E sim praticar o sentimento que arde em meu peito,
Vivendo no tempo que sigo andando,
Sei que não gosto dos novos tempos,
Sei que não pertenço a esta nova estação,
Uma época cheia de identidades falsas e anomalias,
Mas se há justiça nisso,
Não posso reclamar do tempo ditador,
Sou obrigado a acreditar na consciência universal,
Na justiça transbordada da fonte do criador,
Nas exceções que fazem o planeta respirar,
Então admiro os que resistem,
Os que contribuem com a cura da Mãe Gaya doente,
Os que conseguem sobreviver neste tempo,
Praticando a lei de harmonia no tumulto pensante,
Reverencio a espiritualidade crescente,
A religiosidade madura em vários templos,
A relação com as pessoas, as estrelas,
Os livros, a música, a família, os poemas,
Os amigos, o meu cachorro zulu, minhas plantas...
Isso sim é justiça!
Em cada morada da consciência encontrei a felicidade,
Pequenas passagens da mente na mocidade,
Gostava mesmo era da atmosfera na roça antiga,
Na beira do rio onde brinquei descalço sem me preocupar,
Pescando conforme Pai Santos ensinou-me,
Tendo paciência, pois o grande peixe virá,
Sabendo escolher o bambu, o nylon, a isca certa para cada peixe,
Comendo as frutas nas árvores frondosas do ensinamento,
Numerosas histórias nas cachoeiras milagrosas,
Nas brincadeiras que divertiam os meninos felizes,
Sentado no pedaço de madeira lisa de piscina,
Escorregando no pasto molhado onde canta a siriema,
Ave da manhã, sempre em seu lugar,
Durante a brisa que anunciava o dia,
Memórias daqueles que nunca desistiram de tentar,
Sorridente eu respirava o que vivenciava,
Descia a serra de bicicleta com a molecada,
No bagageiro a marmita feita pela tia,
Abria a porteira e o cachorro latia,
Delicioso café na fazenda,
Queijo fresco, pães, biscoito e bolo de milho da tia,
Sentado na varanda acompanhava a Mãe Luzia,
Divertia-me chamando a garnisé do quintal,
Pois é, caboclo do mato aprende muita coisa,
Volto ao morro da seriema,
Historinhas da vida feliz,
Zéfinho era um amigo nesta roça,
Levou um tombo durante o escorrego,
Sentado naquele pedaço de madeira lisa,
Todos gritavam: “Cuidado Zéfinho! Vai se estabacar”,
Mas não teve jeito, Zéfinho perdeu o controle do veículo,
E veio a colidir no bambuzal da beira da mata,
E apesar da dor sentida por Zéfinho,
As alegrias e os risos marcaram aquele cantinho,
Agora era época de pipa,
Acordávamos cedo para fazermos as voadoras,
Pois não vendiam no armazém,
Nós os meninos é que caprichávamos na criação,
E com a pipa no vento eu gritava:
“Hoje não tem pra ninguém!”,
“Vou cortar geral lá do curral!”,
Os amigos riam e disputávamos no alto,
Enquanto a Vovó Leopoldina cozinhava no fogão a lenha,
Carne seca com abóbora aguardava ao meu retorno,
O angu e a canjiquinha não podiam faltar,
À noite havia muitas coisas legais,
A fogueira de São João,
A fogueira que não era de São João,
As histórias de Zé Pretinho,
A conversas com a Vovó Leopoldina,
Com seus quase 100 anos de idade,
O bate papo com amigos,
O céu estrelado,
O cheiro da natureza,
A lua prateada clareando a paisagem,
A pesca e a caça noturna,
A brincadeira de salada mista,
Essa eu tenho que contar,
Nana assim era chamada,
Morena linda de olhos verdes e cabelos longos,
Todos queriam beijá-la,
E eu um tímido da época fingia que não sabia,
Pois ela guardava uma paixão por mim,
Na dancinha, uma festa de música romântica,
Nana era a mais disputada,
O ontem no presente, hoje histórias do coração,
Acreditar no sentimento bom faz tudo valer a pena,
Momentos felizes, que podem ser vivenciados a todo instante,
Viver impondo limites a tantos erros,
Viver sem limites a vida sadia e prazerosa,
Viver sem se contaminar com os novos tempos,
Viver apaixonado pela vida na cheia e na vazante,
Saber viver, isso sim é uma justiça marcante!
Em cada passagem digladiei o elo de meu ser,
Acreditando em fazer a alma crescer,
Convivendo com a influência agressora a justiça do amor,
Narrando os sermões de minha consciência iniciática,
Valorizando os pensamentos diversos,
Descobrindo a importância do viver,
E mesmo no cansaço que não cansa,
Subirei a serra das dificuldades onde alcanço,
E lá no final onde nunca termina,
Finalmente abandonarei a sombra que contamina,
E donde eu estiver,
A felicidade contará ao eterno que acreditou na esperança,
E que tudo valeu a pena,
Basta seguir as Veredas da Oxum,
Mesmo que seja um grito de justiça ao silêncio,
Mas alguém no infinito há de ouvir essa voz.
Em cada riacho sublimado lancei o meu destino,
Afundando a corrente do desalinho,
E nas águas de minhas experiências,
Pisei no terreno que me fez agricultor,
Cultivando o sentimento humilde,
O mais próximo da justiça crística,
Tentando unir a minha alma ao universo cósmico,
Sabedoria inspirada por Pai Velho,
Tentando resgatar o sentimento humilde que se perdeu.
Aquele que sabe se curvar perante o ego,
Aquele que sabe se curvar e sentir o cheiro da terra,
Aquele que vê mais claramente a felicidade onde pisa,
Aquele que entendeu a justiça no coração da humildade,
Quanto tempo perdido,
Queria tanto ter me encontrado há mais tempo,
Lá no princípio quando inspirei o ar mais puro,
Nada foi perdido,
Hoje reencontro às marcas que deixei no passado,
Aceitando a sabedoria do mestre do caminho,
A luz que me indicou a trilha do amor,
Esculpida na selva de meu universo interior,
Atendendo ao chamado que vem de algum lugar,
Do mestre coração,
Tudo vem de cá,
Tudo vem do mestre sentimento,
Não há dores sem causas,
A cura da alma dependerá do que fizeres com as suas marcas,
A vida sempre responderá com seu evangelho,
A justiça ocorre na vida daqueles que praticam a justiça,
Daqueles que vivenciam a luz do mestre amor,
Não julgo os erros alheios,
Também não me culpo pelos meus erros,
Mas sou julgado pela minha consciência,
Que gerencia as verdades na justiça encontrada na estrada.
Em cada sol que do alto surgia,
Descobri que a justiça fez o meu dia a dia,
Histórias narradas pela tristeza e alegria,
Compreendi a importância de estar ali,
Dando vitalidade ao prana que nos mantém de pé,
Em outras vidas aquele mesmo sol ali flutuava,
E hoje esse mesmo sol rememora a minha jornada,
Mergulhei profundamente em seus raios,
Encontrei o povo da justiça que no templo comemorava,
Avistei a antiga sabedoria da raça dourada,
Avistei o pico do Himalaia onde o sol descansava,
Lá onde o ego não pode alcançar,
Pois sente o frio e o calor da justiça que abrasa,
E isso gera medo à insegurança,
Medo de seguir o caminho do meio,
Medo da justiça que caça a personalidade desviada,
Um Caboclo de Xangô era quem orientava,
Levantou as duas mãos fechadas,
E apontou-me a localização do machado divino,
Disse que esta logo ali ao nosso alcance,
Disse que podemos segurá-lo,
Ensinou-me a ser o servo da justiça,
Disse que não há necessidades em se pedir a justiça,
Pois tudo é programado e justo,
Só basta segurarmos no machado,
Pois aquele que planta amor colhe a justiça,
Aquele que acaricia a pedra afasta o pedregulho,
Disse que o desenvolvimento esta em nossos corações,
Disse que às vezes precisamos bater forte no peito,
Visando estremecer os corpos em união,
E tocar o sino da consciência e do coração,
Para que o amor possa funcionar,
Desfazendo a residente simbiose nefasta,
Disse também que ao praticarmos a justiça do amor,
Esse machado pesa com o nosso axé,
E bate em nossos caminhos incitando a justiça acontecer.
Em cada virada de página, pensei nas verdades,
Quantas brigas traduzidas em desigualdades,
Quantas vivências,
Quantas experiências,
Um roteiro arvorou-se em minha mente,
Não caberia um longa-metragem nessas linhas,
Chamaria de: “A Guerra das Verdades”,
A verdade pertencente ao pacote da justiça,
Pois na vida cada ser acredita em uma verdade,
Naquilo que crer e vê com os olhos diversos,
O indivíduo segue esta verdade crescente no espírito,
Segue desfrutando do que acredita,
Segue a sua verdade predominante em seus pensamentos,
Enjaula na mente essa verdade acreditando ser a verdadeira,
E tem aqueles que fazem de sua ideologia a verdade para todos,
E todos se tornam iniciados das verdades espalhadas,
Em cada esquina,
Em cada canto,
É erguido um jardim de infância desta verdade,
Apregoam as verdades em todos os meios possíveis,
O ciclo da verdade se torna à vida experimentada,
Esta verdade plantada é o que decidirá o que somos,
É o que decidirá em qual andaime escolheremos para subir,
Pensar na verdade ás vezes parece cansar,
Mas se a palavra “cansar” também é uma verdade,
Mesmo cansado continuarei inundado pela verdade,
E se eu resolvesse me cansar de mim mesmo,
Estaria me cansando da verdade,
Já que também sou uma partícula da verdade,
Abandonar as verdades é desistir da vida,
É um suicídio consciencial,
Fugir da guerra das verdades é parar no tempo,
È o sonambulismo durante a vida que segue,
È a magia mental preguiçosa e covarde,
Vistam-se com as armaduras cavalheiros de Cristo,
Peguem as armas das verdades e saiam vencedores,
Tornem as verdades uma só verdade,
Pois o individualismo-verdade sempre quer uma briguinha,
Quer sempre passar por cima de outra verdade,
E eu não sei como separar essas verdades,
Confesso que já tentei me esquivar,
Tem vezes que prefiro não me meter, só observar,
Pois já disse que ando pelas margens,
E mesmo assim sofro ataques esporádicos,
Levo um soco de uma outra verdade agressora que impõe,
Confrontos diários dos pseudo-sábios,
Querem que a sua verdade seja a verdade dos outros,
Egoísmo da verdade burra,
Querem que todos aceitem a sua verdade,
Não respeitando a verdade do próximo,
Que pode querer aceitar ou não uma outra verdade,
“Conheceres a verdade e a verdade vos libertará”
A cada dia realmente se descobre uma nova verdade,
A cada dia creditamos mais verdades em nossas mentes,
E a sua verdade anterior se torna obsoleta,
E o que parece ser injusto no presente,
É justamente o reflexo da justiça do passado,
Dá justiça que a todo instante altera a programação,
Quem sabe mais ensina quem sabe menos,
Quem sabe menos um dia saberá mais,
Aprender, arquivar, estudar, transformar e evoluir,
Desta forma funciona a guerra das verdades,
Uma sociedade guerreando entre si,
Mentes interligadas em constantes confrontos,
A cada segundo uma verdade da terra sobrepõe a outra,
Cada indivíduo sustenta como pode a sua verdade,
Seja ela descabida ou não,
Alguns lutam para compartilhar mais e mais,
Outros não contribuem com nada,
A lei de harmonia vencerá um dia nesta terra,
No dia em que todos descobrirem a verdade real,
No dia do cessar fogo na guerra das verdades individuais,
No dia em que as verdades se tornarem unas em pensamentos,
No dia em que não houver mais religiões,
Pois estaremos harmonizados com a justiça do amor,
Cada ser será a sua própria religião,
Cada ser viajará no cosmo emanado de felicidade,
Cada ser crescerá não mais com a verdade do próximo,
Mas sim com a energia de amor dos corações,
E verás que a única verdade existente é o amor,
No dia em que houver somente um governante no planeta,
Inexistindo a divisão, e sim a união de uma nação,
E esse irá governar impelido pela justiça do amor,
Inexistindo os políticos corruptos,
As rosas cobrirão o espinheiro de orgulhos e vaidades,
Ninguém mais chegará ao extremo de matar, de comer carne,
De se alimentar do sangue, da dor e sofrimentos dos animais,
De poluir a nossa atmosfera que chora,
De acabar com o pulmão de Ossanha que fornece oxigênio,
E que conserva a umidade e o solo de Obaluayê,
De destruir o reino mineral e vegetal,
De vender o planeta terra que não agüenta mais tantos maus tratos,
Do descuido e aniquilamento da água potável,
Maleime oh! Divina Oxum,
Esse dia chegará,
kaô kabecilê!
Deixem a justiça do amor reinar,
Escrituras sagradas do livro de Xangô,
As mentes primitivas se cansarão de seus crimes,
As verdades serão conjuntas, dinâmicas, transmutáveis e evolutivas,
Atualmente a nossa verdade guerreira é relativa,
Ainda estamos nos preparando para a verdade universal,
Transformando os nossos corações para nos sutilizarmos,
Libertando a nossa mente em hipnose,
Só assim alcançaremos a verdade pura,
Pois a nossa freqüência vibratória permitirá tal sintonia,
Enquanto isso guerreamos dia a dia,
Com as nossas verdades incompletas,
Com verdades que percorrem no vento,
Somente a paciência do Orixá Tempo,
Com uma verdade que amanhã se transmutara em novas verdades,
Iniciamos no jardim de infância,
Que é o nosso planetinha,
Em seguida vamos trocando de série,
Planetas mais adiantados,
Até alcançarmos a Universidade da Verdade,
Mas para isso é necessário o preparo,
O pré-vestibular das verdades,
Que é a ampliação da consciência,
A aliança com a consciência cósmica,
O amor nos corações,
A transformação das almas,
E a ação de tudo aquilo que julguei ser a justiça.
Se algum dia você ouviu de alguém o seguinte:
“Não se pede justiça a Xangô, devemos pedir misericórdia”,
Isso é pura verdade, se você entendeu o sentimento deste texto,
Verás que a resposta foi elucidada.
Por hora é o que tenho a relatar.
Continua...
Por Carlos Junior