sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Perdão, Danos e Mudanças


De vez em quando temos o costume de nos ligarmos somente às sombras do ego, no estado particular de querer se importar somente com a parte ruim das nossas emoções, carregadas de individualidades e energias egoísticas aprisionadas em nosso ego coitadinho, fragilizado e acorrentado pelas energias da cólera que não pensa em outra coisa que não seja revidar e ofender o ofensor, ou simplesmente ficar de cara feia e não perdoar e pronto, realmente o perdão vai mais além, não esta relacionado a esquecer e deixar pra lá, rompendo qualquer tipo de vinculo com a pessoa envolvida, perdoar na minha concepção e experiência pessoal, seria harmonizar o chacra do coração, ou seja, desfazer qualquer tipo de energia que insiste em desequilibrar, como a raiva, o mau humor, ciúmes, intrigas, desconfortos espirituais, birra...Não é fácil, mas eu juro que tento e sigo tentando, até hoje funcionou, todavia, sei muito bem que há determinados tipos de experiências que causam dores muito mais profundas, como a traição de um ente próximo, eu nunca passei por isso, pois sei que perdoar da boca pra fora é uma coisa, e o rombo que gera no ego é uma dor profunda, mesmo assim acredito que há como perdoar de coração, mesmo não sendo possível de pronto equilibrar as emoções para a tomada da decisão imediata, que poderá ser equivocada quando envolvida por fortes emoções de sofrimento, dor e desapontamentos gerados pela decepção.


Já que é tão difícil assim vencermos as nossas imperfeições, não seria mais fácil ao invés de revidarmos sentarmos em um canto qualquer e refletirmos? Buscando a voz do alto (dos nossos amados mestres espirituais) que sempre nos consola, ou talvez chorar deitado na cama e minar esse sentimento, ou escutar uma boa música, desabafar com um amigo, passear pela praia, pelos lugares, e temporariamente confundir a mente com distrações que alimentam a nossa auto-estima. Sei lá, façamos qualquer coisa! Dançar, sorrir, morder um osso, comer chocolate, pizza, reclamar com preto velho... Pense em tudo, menos no ego ferido que fecha seus ouvidos para os terapeutas dos dias (trocador de ônibus, caixa da padaria, biriteiro do bar da esquina, o português da quitanda, o jornaleiro falante, o ambulante que continua no mesmo lugar, a dona fifi que faz segurança na rua, a turminha dos velhos que todos os dias fala de política, sinuca, caça níquel, jogo do bicho, baralho, cachaça e futebol, menos de Jesus e mulher bonita, os colegas do trabalho, mãe, pai, o amigo do orkut-msn, o metido a escritor de blogs, o guardador de carros, o feirante, o vendedor de ervas, o pedreiro, o dirigente do terreiro, o fankeiro que só fala de morro e bandido, até o cachorro que empresta o ouvido). È preciso ser o poliglota da boa malandragem e aprender com tudo, se virando nos “30”. E se isso não for possível, de tempo ao tempo, confiando na oração e seu remedinho que é o novo dia, um novo sol, um após o outro, até secar e evaporar a amargura que é essa energia negra que bloqueio a essência pura do coração. Não esqueça dos passes e dos banhos de erva heim! risos

Sei que é difícil, veja só um exemplo?
Pede para alguém continuar amando o causador de seus tormentos?

E se o amor for uma palavra muito sublime, então peça para alguém respeitar, compreender, tentar gostar, ou conviver fraternalmente com a pessoa que não vai com a sua cara? Duvido que alguém pense em se aproximar, em se retratar, em orar pela aquela pessoa, já que ela é a “origem” de suas emoções embriagadas pela revolta. Tudo isso ocorre por um simples motivo, não estamos acostumados a praticar atos que desenvolva e equilibre o chacra do coração, há pessoas, e eu me incluo, que embora tenham conseguido superar, aprender e conviver com posturas de terceiros mais complicados, ainda não procuraram viver e sentir a energia mais pura do coração, que fornece a informação necessária para o cérebro determinar como será a nossa reação perante o externo que agride o nosso ego despreparado ainda atrasado, um ego a qual eu chamo de “coitadinho”.


Lembro-me dos ensinamentos de Buda, que fala sobre a impermanência, a mudança que todos os seres estão sujeitos, dizia que quando a gente muda tudo lá fora muda, ou as pessoas acompanham as nossas mudanças, ou alguma corrente ira aproximar você aos ideais de sua mudança, é por isso que não conseguimos mudar ninguém, são as pessoas que se inspiram em nossas mudanças e mudam também, isso eu pude comprovar em minha vida particular cheia de tropeços e acertos.

“É possível compreender a mudança como algo universal a todos os fenômenos quando se percebe que nenhum deles é autônomo. Todos os fenômenos dependem uns dos outros; portanto, quando um se transforma, todos mudam”

“Uma vez convencidos de que todas as coisas mudam, podemos utilizar tal informação de duas formas: empregá-Ia em nossa preparação para aceitar o inevitável, e para nos inspirar a ter uma atitude esperanço­sa e positiva em relação ao futuro”

“A maioria das pessoas ficam deprimidas ao contemplar a verdade da impermanência, porque pensa apenas no fim das coisas boas. Entre­tanto, assim como coisas positivas podem se transformar em negativas, estas transformam-se em positivas. A mudança nos livra de situações difíceis, alivia-nos de preocupações. É o processo pelo qual podemos nos transformar em budas. Sem mudanças, nunca evoluiríamos”


Compreender a estrutura do ser humano é o ponto fundamental para perdoarmos com mais facilidades, sempre haverá pessoas em nossos caminhos que nos causarão descontentamentos, irritações, tormentas, falta de paciência, raiva...Desta forma continuo acreditando que devemos entender as limitações de cada ser humano, expandindo e resolvendo as nossas.


Quem se encontra em um estágio de consciência mais avançado sempre será testado de acordo com suas limitações e progresso, quem não se encontra também será, a diferença esta na preparação, na mudança, e no desejo encorajado e esforçado em querer revirar e limpar a sujeira que furta o brilho do diamante do coração danificado. O mais preparado tem o dever de entender os erros alheios, como a traição, ofensas, brigas, ingratidão e tudo mais pertencente ao pacote das brumas umbralinas de nossa consciência. O mais adiantado precisa entender a mente mais viciosa e ignorante, caso não seja possível, eu aconselho começar com um tratamento intimo invocando a luz violeta de Nanã Buruquê, para transmutar ou amansar o cão feroz, o “coitadinho”, com a mudança do agir, sentir, e arriscar a evolução, o perdão de nós mesmos.

Por outro lado acredito que aos perdoamos, optamos por complexas escolhas, como um perdãozinho extra pós-raiva, que seria verificar a possibilidade de ingerir o que passou e dar uma segunda chance a pessoa ativa, caso isso seja possível, caso contrário, cada um siga o seu rumo, pois não somos obrigados a conviver com ninguém que não queiramos, entretanto, perdão é lei maior, logo temos o dever de sabermos perdoarmos de coração, não guardando qualquer tipo de resídio sentimental inferior contra o ofensor.

Bom, essas são as minhas dicas, e que tem me ajudado bastante, ainda estou aprendendo, crescendo, e sendo testado, muito testado! Principalmente com as emoções que me tocam mais fortemente. Harmonia é tudo nesta vida cheia de gente boa, mas lotada de gente complicada e ingrata. Difícil realmente é, mas não impossível, e se ao menos retornarmos aos céus dos espíritos, a vossa verdadeira origem, com as sacrificadas medalhas das mudanças significativas, veremos então que essa encarnação valeu a pena, pois não servimos apenas de meros expectadores escravos do ego, fizemos as coisas acontecerem, não permanecemos rebaixados na segunda divisão, vestimos a camisa do time vencedor e enfiamos a mão na massa cinzenta do “coitadinho”, virando o jogo, querendo realmente fazer parte desta partida, sem marcar gol contra, apenas sacudir a rede das emoções que guardam o perdão que deixa a bola da alegria entrar.

Perdão é lei divina, é a lição dos preto velhos, o amor das crianças, a garra do cabloclo, a ação do exu, e a responsabilidade do ser humano. Todos termos a obrigação sem forçar o coração de praticarmos o perdão, de perdoar e sermos perdoados, por mais que insistamos em não aceitar ser o amor que reside em nosso eu.

Ps: Esse seria um comentario que eu iria deixar no blog da Família CUCA, não era para ser um texto, mas como alonguei com as palavras, acabou se tornando e não deu para postar no blog do CUCA no assunto "Perdão".
http://familiacuca.blogspot.com/

Um Sarava de Amor a Todos!
Por Carlos Junior