Estava em casa escutando algumas músicas xamanicas, como de costume, quando senti a presença. Ouço músicas como estas e aspiro uma conexão com a verdade que corresponde aos meus anseios íntimos. Sinto-me como se estivesse encontrado a minha própria essência, e a primeira coisa que me vem à mente e ao coração, é a pureza, espiritualidade, filosofia e arte. E graças ao “Grande Espírito”, Tupã, comecei a sentir isso na época em que as minhas faculdades mediúnicas começaram a aflorar. Isso ocorreu logo depois que conheci a Umbanda. Sou um apaixonado por música, e sempre que ouço canções assim, sinto um prazer tão grande, que um raio de inspiração envolve todo o meu ser. Certa vez, quando comecei a perceber e captar isso, sentei-me de frente ao computador e comecei a escrever poemas, e à medida que escrevia, ouvindo composições da ama, sentia e continuo sentindo a minha conexão com esta atmosfera de inspiração poética, e com a essência espiritual que me remete a uma realidade distante deste mundo atual. Sou levado a um mundo de pensamentos elevados e encantados, como se estivesse por alguns instantes, mergulhando na atmosfera das tradições antigas, das quais um dia tivemos o prazer de vivenciarmos e sermos felizes. Talvez seja por isso que amo tanto a Umbanda.
Normalmente quando sinto a presença, busco um lápis e um caderno para escrever, ou digito diretamente no computador. Já digitei páginas em um único dia, normalmente textos poéticos, contos e romances. É a presença em mim, é a minha alma xamã. Têm vezes que vejo e sinto a mistura das cores e o cheiro de tinta, desenhando a arte em minha tela mental, é a pintura do mundo espiritual misturada com a minha poesia, e a música do universo nos banhando em uma única sintonia com o nosso estado espiritual de se sentir bem. São as coisas que amo, e que me fazem transcender para um estado de felicidade. São momentos em que me sinto integrado com a minha verdadeira essência espiritual. É a presença em mim, é a minha a alma xamã!
Tem vezes que me concentro tantos nessas canções, que a sensação a me envolver é de uma criança pura e inspirada, em outras me sinto em terras indígenas dançando em rodas festivas e círculos de cura, cerimônias e espirituais. Visualizo os meus pés descalços conectado a Mãe Terra. Visualizo fogueiras, xamãs velhos com suas sabedorias e ervas medicinais, homens, mulheres e crianças indígenas, rios, cachoeiras, florestas, o sol, a lua cheia e o toque do tambor batendo em minha alma, como se naquele momento tudo fizesse sentindo, e que o caminho o qual jornadeio é o único que irá trazer-me isso de volta, a conexão com o “Grande Espírito”, o conforto, a cura, a paz e a plenitude real capaz de me fazer buscar a mudança interior e a elevação. A presença em mim, a minha alma xamã. E sinto isso também com as energias dos orixás que me remetem a minha origem áfrica, juntamente com os pretos velhos, que nutrem a minha vontade de resgatar a minha raiz revivida nestes novos tempos. E assim ocorrem também com os ciganos e seus incensos, acampamentos, caravanas, musicalidade, prosperidade, terapia, beleza e espiritualidade.Todos os povos têm a sua particularidade, a Umbanda é rica, pois traz um pouco disso e muito mais.
Anos atrás, quando comecei a escutar bhajans e mantras hindus e tibetanos, parecia que havia encontrado a minha verdadeira morada em forma de filosofia, espiritualidade e cultura. A primeira vez que adentrei nessa inspiração, em harmonia com uma forte energia de amor expandindo o meu chacra cardíaco, foi em 2008 no Hotel Intercontinental, em São Conrado, um evento com a líder espiritual e humanitária na Índia, a Amma. O local parecia o próprio oriente, com musicas e energias bastante elevadas, foi uma experiência e tanto.
Com o tempo passei a escutar musicas xamânicas, foi demais, e escuto quase que diariamente. Basta eu colocar uma musica xamânica em casa que a ambiência muda, principalmente por perceber a presença de meu mestre caboclo, mas é preciso estar concentrado nesta força que penetra a alma, fazendo com que esta seja direcionada as coisas boas de outrora. O legal foi que na época em comecei a escutar musicas xamâmicas, sequer tinha a noção que os meus sentidos naquele momento, estavam relacionados às vivências passadas juntamente com o meu mestre caboclo, e hoje descobri que isso é uma verdade, pois fui informado pelo mesmo, e posso dizer isso com plena alegria e felicidade, que sou uma pessoa inspirada e feliz por poder conectar-me sadiamente às energias e sensações ligadas ao meu passado, uma realidade que jamais comparada ao presente, pois a vivência hoje são outras, carregadas de modernismo e ruptura da beleza que havia no passado. É a presença em mim, é a minha a alma xamã!
Após descobrir esse universo íntimo, e aprender uma pontinha da cultura de meu pai caboclo, que é ligado a essa culta xamâmica americana, sinto que dessa fonte todos nós somos capazes de nos conectarmos, é lógico que os mais sensíveis têm facilidades em perceber isso. Amo sentir o pulsa da Mãe Terra em meu espírito, a cura em mim, e seu solo sagrado consagrando o meu despertar espiritual. Inclusive o meu pai caboclo canta essas canções xamâmicas em uma língua que acredito ser originaria de algum povo nativo da América. Também realiza danças tribais batendo os pés no chão invocando a energia da Mãe Terra. Sentir isso tudo é bom demais, é nos conectarmos a essas noures ligadas ao nosso passado. É sentir o cheiro da terra, o cheiro de mato molhado, a alquimia do amor perante as águas das cachoeiras, que limpam a minha pedra brusca e a lapida, transformando-a na pérola que há em meu nobre coração. É o toque do atabaque, é o bate folha de caboclo. É a presença em mim, é a minha alma xamã!
Okê Caboclo! Suas bençãos.
Por Carlos Junior