
Tem vezes que eu fico pensando e refletindo sobre os meus atos como pessoa, então percebo que existem duas hipóteses meio que relativas:
- Eu consegui me tornar um ser humano um pouco melhor.
- Ou simplesmente consegui lapidar um pouquinho a minha alma e descobrir quem eu realmente sou, uma pessoa que busca a natureza divina em seu ser.
Primeiramente quero deixar bem claro que não sou nenhum santo, guru...
Estou longe disso, cometo os meus erros como qualquer ser imperfeito cheio de defeitos.
Não é por argumentar sobre alguns pensamentos preso ao tempo que me vejo acima dás nuvens.
Eu simplesmente sou uma pessoa que busca as verdades em meu próprio espírito, e no axé que interpenetra em minha consciência, compreendendo o grau evolutivo de todos os irmãos da terra, pois também estou na mesma luta e me esforço para entrar nesta correnteza de sabedoria divina de meu Pai Xangô.
Não sou melhor que ninguém, e também não gosto de fazer comparações entre irmãos, pois cada ser deve procurar em si uma melhor forma de se melhorar interiormente, buscando as capacidades de seu próprio espírito.
Partindo desta aceitação penso sobre os resultados do meu despertar espiritual.
Devido a minha vivência umbandista-espiritual no meu dia a dia, identifico em meu interior uma força que me impulsiona para uma espécie de conexão com a essência maior.
Hoje em dia presencio certas posturas dos irmãos médiuns umbandistas em geral, e percebo que há grande incidência do mesmo tipo de erro, que é o revestimento da falsa bondade-humildade.
Ocorrências também presenciadas em outras religiões.
Creio que as razões de muitos médiuns não entenderem o real significado das coisas do espírito se deve a falta deste despertar espiritual, que pode ser rápido ou moroso.
Depende do esforço que o médium faz para conhecer e entender o que seja Umbanda no contexto essência divina, um portal entre o mundo físico e a dimensão dos orixás, uma visão mais ampla que foge do pensamento terra-terra como muitos chamam a Umbanda.
Uma Umbanda que bate de frente com nossas imperfeições e cobre de amor os sentimentos bloqueados em nosso arquivo espiritual interiorizado.
O médium parece exercer o seu mandato mediúnico sem ainda ter despertado à sua consciência para as coisas divinas que transcende e ego saturado de erros, e o terra a terra que chamam por ai.
E se for pensar neste terra a terra, veremos que todos as religiões são terra a terra, pois é aqui no físico que os bondosos espíritos nos trazem o amor que o Pai revelou.
Nesta ideologia, observando alguns comportamentos por parte de médiuns umbandistas e espíritas, pude notar a ocorrência de tais incidências citadas.
O médium muitas dás vezes não se conhece e não sabe quem és.
Então como irá entender o que é mediunidade, já que esta nos cobra o mínimo, que é possuirmos uma percepção real do que seja a nossa natureza divina, que nos liga ao grande espírito.
Natureza que contém as partículas de promessas que prometemos para nós mesmos no passado longínquo.
Refletindo mais sobre o tema, veremos que alguns médiuns parecem que ao adentrarem no terreiro parecem descortinar o véu da ignorância, e mergulham nas águas benéficas da egrégora umbandista, todavia, ao saírem do centro o médium volta a se afundar no lodo do dia a dia criados pela sua invigilância.
Desta forma parece que a pratica mediúnica se torna algo exclusivo e preso entre as paredes do terreiro, e que somente dentro do centro podemos nos inspirar nos bons exemplos da bondade amorosa de nossos Mentores espirituais.
Então fica parecendo que o terreiro é um verdadeiro Maya(ilusão) momentâneo, e que a vida real e externa a cada dia massacra a melhoria que o espírito tenta abraçar.
Neste mesmo lado externo veremos médiuns falando mal do vizinho, tomando conta da vida dos outros, propagando mesquinharias, atraindo tormentas, irritações, descompensação energética...
O médium vê o dia passar sem perceber o que se passou ao seu redor, sem ao menos olhar para cima e ver a luz do mundo, que vem do sol de Olorum, que jorra o axé para o seu despertar, pois olhando para o sol percebemos que existe ali uma outra natureza, e esta natureza se conecta conoco o dia inteiro, desejando a unicidade da comunhão.
Preferindo então carregar sentimentos confusos, misturados e perturbados, sem demonstrar nenhum tipo de sensibilidade com o irmão do dia a dia.
Seja um mendigo caído na calçada, uma criança pedindo comida, uma velhinha pedindo ajuda para atravessar a rua, um irmão menos esclarecido que pisa em seu pé, empurra-te e ainda faz cara feia dentro do metrô lotado, um(a) colega de trabalho que só deseja ser ouvido(a), e no envoltório do trabalho combina sobre o adultério na sexta feira, bebidas e farras imorais.
E depois de passar por estes testes do cotidiano, o médium chega em casa e diz para a esposa: “Eu te amo meu amor”, depois acende um incenso e inicia a recitação de mantras:
“Eu sou bom, Eu sou o padme, Eu sou o amor, Eu sou luz...”,
ou então passa o defumador em casa e pede ao coitado do Mentor preto velho, juntamente com o panteão umbandistico e os elementos da natureza, que afaste de si os encostos.
Ou então acende uma vela pedindo uma forcinha ao incansável anjo da guarda, que lhe oferece todas as ferramentas durante a vida para o seu crescimento.
Mas o coitado do médium não quer ter trabalho, prefere que o anjo carregue a cruz dele.
Desse jeito fica difícil se tornar mais espírito, que é o mesmo que se tornar mais humano.
Médiuns assim devem acender um incenso no coração, deve defumar a sua consciência preguiçosa e estagnada, e deve acender uma vela em seu interior apagado.
Como é que médiuns assim desejam acabar com a sede daqueles que necessitam, já que o seu copo interior permanece vazio?
Como é que vai acabar com a fome dos carentes que suplicam, se o padeiro de sua alma esta em greve há tempos?
E alguns ainda têm coragem de reclamar de tudo e de todos, e não satisfeito reclama de seu próprio Eu, que é aprisionado aos costumes viciosos.
Uma arrudazinha sempre ajuda mais um!
Carregados de sentimentos assim o médium vai ao centro com a aura toda suja, e resolve colocar a sua linda e branquíssima roupa de trabalhos mediúnicos, então passa mal e diz que o dirigente não lhe presta os devidos cuidados.
Ou então começa a procurar defeitos nos outros irmãos, sem perceber que o defeito esta em sua cabeça.
Fazendo critica peçonhenta direcionada ao irmão da corrente, que passa mal ou incorpora em momentos inadequados.
Pensamentos frívolos que fluem para a egrégora da casa e desarmoniza o fluído energético da gira.
Ou então menciona que a casa atrai espíritos de baixa estirpe.
Vemos então que o médium reclamante que se acha o certo, não pratica a caridade consigo mesmo, então como vai praticar a caridade com o conjunto da vida.
É preciso se banhar com a erva do esclarecimento, banho este formoso que pode diminuir a influência do ego periférico repleto de falsidades.
Deixando assim que a força divina envolva a sua consciência , a qual carrega ás leis de Oxalá.
Esclarecimento não é saber e entender, esclarecimento é praticar e evoluir, lavando esta sujeira interna que se disfarça de branco, e assim elevar os nossos pensamentos, e se unir a pratica do amor verdadeiro, se desprendendo desta força física-materialista que assombra a consciência mediúnica, que por sua vez acorrenta o espírito enraizado nas falsidades diversas.
Busquemos a luz da sabedoria que vem do coração envolto de amor.
Neste pensamento eu me vejo com uma visão de mundo espiritual diferente e mais ampla, fruto do bom desenvolvimento humano-mediúnico.
Enxergo as coisas ao redor com os olhos do coração, com a visão de uma alma que se esforça para encontrar as verdades divinas.
Nesta vereda eu aprendi que sabedoria não estar em ler um livro.
A sabedoria é serena e espera o momento certo de agir.
Pois silenciar nos momentos certos também é sabedoria.
É como o rio da sabedoria, que se orienta e desvia dos obstáculos, e quando suas águas serenas ficam represadas, o rio eleva e aumenta o seu volume, cobrindo assim os obstáculo.
Aprendemos a ser sábio quando vivenciamos e aprendemos com a felicidade da jornada espiritual, percorrendo os bosques floridos que leva a casinha da Mamãezinha do Amor, cultivando em nosso ser a sensibilidade que aflora o amor divino existente na rosa da alma.
Pois é esta sensibilidade que nos capacitará a sentir, praticar, e ser o próprio sentimento de amor.
Eu sou a favor de incluir nos ensinamentos umbandisticos apontamentos que tragam ao médium uma reflexão que ajude a despertar a sensibilidade humana, que se relaciona com a essência do amor divino, trabalhando mais a psique dos médiuns sobre aspectos mais comportamentais, trazendo um conceito de Umbanda como essência de bons sentimentos, que desperta o homem para a magnitude da natureza de Olorum.
Rezando mais pela humanidade e pela natureza da vida.
Esclarecendo o quanto é importante nos mantermos em harmonia com a natureza, que por sua vez vai nos ajudar a compreender qual o caminho para dizimarmos os nossos desequilíbrios internos.
Que gera doenças no perispírito, que reflete no físico e na mediunidade.
Explicando o que seja e como funciona a lei de atração-afinidade.
Como podemos emitir bons pensamentos para o cosmo, expandindo a nossa aura com a luminosidade de nossos orixás, pois é esta aura que reflete para o universo espiritual o que somos sem o disfarce da falsidade cultivado no físico.
Edificando a mente com a meditação e atos benévolos.
Trabalhando mais o chacra cardíaco, frontal e coronário.
É com este campo energético que aprendemos a despertar e desenvolver a luz do coração.
Este campo não atraí somente os bondosos mentores espirituais, mas acende todos as luzes que nos direciona para a verdadeira senda espiritual.
Acendendo o real incenso celestial.
Acendendo o carvão que queima as ervas que defumam os umbrais de nossa consciência inferior.
Acendendo o Eu divino que atrai egrégoras de luz que conspiram a favor da melhoria em nossas vidas.
Nos trazendo a paz interior, a abertura de caminhos, sabedoria e a expansão da consciência.
Usufruindo assim de uma ligação maior com a natureza descoberta e compreendida.
Nos tornando assim unos com a luz da Mãe Divina que exala o perfume do amor.
Obs: Quero deixar bem claro que estes relatos não estão direcionados a ninguém em específico, eu mesmo posso estar incluso em tais erros, rsrs. Eu simplesmente fiz este texto respondendo à um e-mail, e percebi que estava sendo intuído espiritualmente no momento em que digitava, então resolvi compartilhar para todos.
Um Saravá de amor a todos!
Por Junior, ou melhor, Carlos Junior, rsrs.
Eu prefiro somente Junior, mas como Junior não é nome e existe o Carlos na frente, tenho que respeitá-lo. rsrs