quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Negro Velho de Xangô












Em algu
m lugar da África havia um velho.
Seus se
mblantres expremiam a força de um homem.
Sua idade exi
bia a paciência que teve coma vida.
Seus cabelos brancos traziam a certeza de um sábio.

A cada lua vivida lembrava de sua eterna moradia.











Em algum lugar na África havia um velho.

Seu povo o respeitava e ouvia seus conselhos.
Dizia que seu reino vivia na força da natureza.
Sentia seus pés descalços no solo da mãe terra.
O trovão
refletia nas montanhas a Justiça de uma nova era.
Tanto esperou e sua luz se arvorou.
Em seu balaio depositou o fruto desse
verdadeiro amor.
Na lua gran
de na aldeia algo lhe tocou.
Na beira da fogueira contava sobre o poder do Senhor Xangô.

Em algum lugar na África havia um velho.
Suas lágrimas escorriam pela sua face.
Recordou de outrora debaixo do sol quente.
Quando era assistido por seu povo sofrido e valente.
Chorava e lembrava da passagem de Oxalá.
Das orações na senzala pedindo justiça envolta do amalá.
Muito aprendeu com o tronco e o chicote do feitor.
Mas com fé e humildade buscou as forças no Senhor Xangô.


Em
algum lugar na África havia um velho.
Suas insp
irações vinham de seus Orixás.
Olhou para o céu e viu que valeu a pena.
Estrela matutina clareia a minha alma.
As mar
cas do martírio foram os percalços da senda.
O machado pesou e trouxe a providência.
Sentiu na pele as dificuldades da sobrevivência.
Hoje entende o poder que conseguiu com esta resistência.

Em algum lugar na África havia um velho.
Todos os dias assistia à natureza,
Via o sol brilhar,
Os bosques mais floridos,
A tempestade sobre a terra,
Os ventos derrubarem as plantas fracas,
Visitava seu Congá natural nas cachoeiras,
O amor Divino o inspirava.
Se encant
ava com a canção da natureza.
Via os pássaros beijarem o seu jardim.

E todo
s os dias agradecia a Oxum por esta eterna beleza.












Em algum lugar na África havia um velho.
Era forte igual à natureza.
Era frio
e ele estava lá a confortar.
Era calor e se
u corpo cansado socorria quem precisar.
Agora em sua choupana era chamado de madrugada.
Entoando seus pontos milagrosos na fé que ainda guardava.
Levantara sorrindo e colocava sua vestimenta branca e marrom.
Chamaram o Negro Velho ?
Sua Guia cintilante o envolvia em uma luz néon.
Com fé em Oxalá chegou o curandeiro salvador.
Lá vem ele o Velho Negro de Xangô.
Veio na aldeia para aliviar a nossa dor.
Revesti
do de humildade a nos encorajar.
Soprava em seu ouvido Xangô Afonjá.
Encurvado in
vocava a força de seu Orixá.
Nos rostos tristonhos um sorriso a brilhar.

São as folhas de Ossain ajudando mais um filho a se levantar.

Em algum lugar na África havia um velho.
Ao entardecer vislumbrou o tempo que passou.
O Senhor do fogo sabe que a fonte não esgotou.
Sabia que havia algo mais.
Sentado em uma pedra rezou para seus ancestrais.
Nasceu ali na cachoeira e não esquecerá jamais.
Emocionado lembrou e chorou.
Na floresta um forte brado de leão ecoou.
Falangeiros de Xangô ao seu lado agora surgiu.

No centro da aldeia uma luz desceu e reluziu.
A raiz de sua alma havia de prosseguir.
Eterna fé sagrada sempre existiu ali.
Ajoelhou e saldou a força de seu ilê.

Da cachoeira ouviu o brado na pedreira Kao Kabecile.

Em algum lugar da África havia um velho.
Na lua de prata os negros festejavam.

Os tambores falavam e eram escutados.
A força da Mãe África a todos contemplavam.
Esse era o povo forte e de bom coração.

O canto
estava presente no costume e tradição.
O que exalava uma eterna alegria.
Perguntaram o Velho qual seria o segredo de sua sabedoria.
O amor pela vida foi o que lhe consagro.
Esta escrito lá no livro de meu Senhor Xango.

Em algum lugar na África havia um velho.
Nunca esqueceu.
Para sempre lembrará.
Nunca perdeu.
Para sempre vencerá.
Nunca se vingou.
Para sempre perdoará.
Nunca desanimou.
Para sempre a Justiça Divina reinará.
Deixem passar o rei.
Para o sábio eu sempre rezei.
O lamento ouvia no som do tambor.
Em seu peito brilha a luz do Senhor Xangô.

Em algum lugar na África havia um velho.
Noite bonita se transformou.
Chuva e temporal.
Era ela a Senhora do Relâmpago.
A aldeia se movimentava.
Será meu Velho o fim do mundo ?
Maleime meu Pai Oxalá !
É a guerreira meu filho veio nos salvar.
A esperança nunca morrerá.
Seu vendaval as angustias vai levar.
O reino não é mais de sofrimento.
Seus raios nos trazem a vida em movimento.
A aldeia vai girar para renovar.
Vento forte filho forte.
O Senhor das pedreiras a trouxe para nos ajudar.
Olha pela janela e veja a força de Oyá.
Emocionei-me Velho Negro e ajoelhei.
Kao Kabecile Xangô meu rei.
Salve sua presença Iansã Eparrei.

Em algum lugar na África havia um velho.
Eterna Savana da vida.
Arvore frondosa de amor.
Seiva Divina o abençôo.
África berço da magia.
Lendas que encheu seu coração.
Natureza e nostalgia.
Mãe celestial eu lhe agradeço.
Brisa da noite chegou à hora.
Tristeza abandone a minha alma.
Alegria aflore meu espírito.
Solo sagrado agora eu vou embora.
Fachos de luz invadiram o meu quarto.
Levantei-me do toco irradiado.
As portas do céu se abriram.
Aqui estou meu pai o Anjo cedido.
Saudades da aldeia a lição milagrosa.
Estradas que pisei e rogo gratidão.
Reencontrei o éden onde habita a felicidade.
Campo do amor balsâmico verdadeira puridade.
Rios de paz e lago pueril.
Sentimento de unidade e fraternidade.
Lírios iluminados colorindo a nova vida.
Orquídea do criador ar puro renovador.
Terra encantada nos céus do Brasil.
No fundo uma pedreira.
Na frente flores companheiras.
Cascata fluidificada jorrava a cachoeira.
O amor Divino de meu coração se expandiu.
A morada se chama Aruanda.
Parece que vou descansar.
Um dia a terra vou voltar.
A seara se chama Umbanda.
Não demorou e aqui já estou.
Continuar o que não acabou.
Saravando os filhos o velho conhecedor.
Desço a terra com Justiça e muito amor.
Olorum meu pai foi quem ordenou.
A raiz do povo negro agora represento.
Mãe África onde mora meu pensamento.
No terreiro o velho reformador.
Sempre crescendo eu sou Velho Negro de Xangô.

Por Carlos Junior
Inspirado por meus Guias Espirituais

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